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Fábio Barbirato Psiquiatra infantil

Os benefícios da volta às aulas presenciais para crianças e jovens

Retorno às escolas é fundamental para a saúde emocional e mental das crianças

Por Fabio Barbirato Atualizado em 22 out 2021, 06h03 - Publicado em 21 out 2021, 16h37

Com mais de 70% da população adulta vacinada com duas doses, as instituições de ensino vão retomando suas atividades. As escolas do Estado de São Paulo já notam uma adesão de mais de 75% no retorno às escolas. São Paulo se junta ao grupo de estados como Santa Catarina, Amazonas, Paraná, Espírito Santo e Goiás, que já haviam adotado a volta às aulas presenciais.

Enquanto isso, na cidade do Rio de Janeiro, a prefeitura calcula que 85% dos alunos retornaram às aulas presenciais. No entanto, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação, houve uma evasão escolar de mais de 25 mil alunos nos últimos meses. São crianças que pararam de acompanhar os estudos, seja online ou presencialmente. Trata-se de uma verdadeira tragédia social.

O prejuízo social, de desenvolvimento e de aprendizado causado pela pandemia é enorme. É mais que hora de se recuperar o tempo perdido nos últimos meses. Todas as escolas que voltaram a abrir as portas aos alunos se adaptaram para este momento de pandemia e respeitam as normas sanitárias vigentes: uso de máscaras, acesso a álcool gel, prioridade de atividades ao ar livre, lixeiras e refeitórios adaptados e espaçamento entre as mesas das crianças são seguidos à risca.

Crianças não são o público que gera mais preocupação quanto a Covid-19 e, mesmo quando pegam a doença, tem baixa hospitalização e ainda menor mortalidade. Divulgado no começo de setembro pela Academia Americana de Pediatria e pela Children’s Hospital Association, um estudo contabilizou que a incidência de Covid-19 entre as crianças foi de 6.709 a cada 100 mil casos. A hospitalização de crianças nunca passou de 2% dos casos e a mortalidade jamais chegou por 0,06% do total.

Nos muitos meses em que ficaram longe da escola, foi perceptível o aumento dos casos de ansiedade ou irritabilidade entre crianças. Alguns pais já relatam a mudança de comportamento dos filhos nos poucos dias da retomada das aulas. Se as crianças estão satisfeitas com o retorno ao convívio social, também os pais se sentem aliviados depois de quase um ano e meio tendo que se desdobrar entre home office, as atividades de casa e o apoio escolar aos filhos.

Mais que um estabelecimento de ensino, as escolas são ambientes de afeto e acolhimento. A volta à escola, de certa forma, traz uma perspectiva de futuro e de estabilidade, conceitos tão importantes nesta faixa etária.

Fabio Barbirato é psiquiatra pela ABP/CFM e responsável pelo Setor de Psiquiatria Infantil do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa do Rio. Como professor, dá aulas na pós-graduação em Medicina e Psicologia da PUC-Rio. É autor dos livros “A mente do seu filho” e “O menino que nunca sorriu & outras histórias”. Foi um dos apresentadores do quadro “Eu amo quem sou”, sobre bullying, no “Fantástico” (TV Globo).

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