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Fabiane Pereira Por Fabiane Pereira, jornalista

A sustentabilidade como tendência

A indústria da moda é conhecida por criar e popularizar certos modos de fazer e agir, e não há tema mais em alta em 2021 do que a sustentabilidade

Por Fabiane Pereira Atualizado em 29 nov 2021, 17h41 - Publicado em 29 nov 2021, 11h34

Somos sobreviventes de uma pandemia e diante de um trauma coletivo, nosso instinto nos chama à vida. Esse chamamento vem de muitas formas e revisitar nossas escolhas torna-se vital. Em 2013, alguns anos antes do Coronavírus ser disseminado pelo planeta, um prédio em Bangladesh que abrigava trabalhadores da indústria da moda desmoronou e matou mais de mil pessoas, feriu outras 2500 e colocou na pauta mundial os trabalhos análogos à escravidão de diversos fornecedores de marcas respeitadas.

Questionar a procedência do nosso consumo precisa ser normalizado. Exigir transparência das empresas em questões relacionadas a sustentabilidade, inclusão, compromisso social e igualdade racial deve fazer parte do nosso dia a dia. Produtos de moda são responsáveis por 10% da emissão de carbono no mundo e, pasme, isso é mais que todos os vôos internacionais e o transporte marítimo juntos. A indústria da moda é responsável por 20% da poluição da água no mundo. Se a indústria da moda continuar nesse caminho, irá produzir 26% do carbono mundial até 2050.

Mas por que uma coluna de música está falando sobre moda? Primeiro porque são indústrias atreladas há décadas. Moda, música e cinema sempre andaram de mãos dadas. De Elvis Presley a Beyonce, as grandes marcas estão sempre associadas ao mercado da música. E depois porque a indústria da moda é conhecida por criar tendências, e não há tendência mais in em 2021 do que a sustentabilidade.

Em todo mundo, especialmente neste período pandêmico, a preferência do consumidor mudou e ela começa a exigir produtos mais ecológicos, seja no prato ou no guarda-roupa. No Brasil, a gigante Renner é a primeira marca a inaugurar uma loja circular do varejo. A iniciativa consiste em associar o desenvolvimento de uma moda responsável ao melhor uso de recursos, priorizando insumos mais duráveis e renováveis.

Por enquanto, apenas uma loja da marca, a localizada no Shopping Rio Sul, zona sul do Rio de Janeiro, está inserida nesse conceito de loja circular. A unidade lançou três novas coleções-cápsulas do Selo Re produzidas com matérias-primas e/ou processos de menor impacto. Entre os destaques está uma nova edição de Re Jeans, o jeans com conceito ecofashion que vem ganhando cada vez mais atributos e representatividade dentro da marca; a coleção Studio, com calçados feitos de lonita sustentável com sola de palha de arroz e peças com tingimento natural em tecidos reciclados, linho certificado e viscose e algodão responsáveis; e a cápsula Algodão Orgânico, com opções femininas, masculinas e infantis feitas a partir do algodão cultivado e colhido de forma artesanal e sem uso de agrotóxicos.

Loja Circular / Shopping Rio Sul
Loja Circular / Shopping Rio Sul divulgação/Internet

Esta sustentabilidade não está apenas nos produtos, da concepção até a operação, a loja localizada no Rio Sul foi desenhada considerando premissas de circularidade para diminuir ao máximo seu impacto ambiental, através da redução de consumo de matérias-primas na reforma. Só em aço estrutural, por exemplo, a loja deixou de usar 8,5 toneladas. Foram priorizados materiais mais sustentáveis, reciclados e recicláveis. A meta era reaproveitar 75% dos resíduos gerados na obra, mas o desafio foi superado, já que 94% desses resíduos não foram destinados a aterros, sendo que grande parte foi reciclada e serviu de insumo em outra cadeia produtiva.

A loja é abastecida por energia renovável e de baixo impacto, originada de fonte eólica. Também é mais eficiente no uso de energia. A emissão de CO2 equivalente evitada na construção e operação da loja, em um cenário de 20 anos, corresponde à restauração de uma área de 1,5 hectare de Mata Atlântica. Resumindo: é como se a Renner plantasse 3 mil árvores no Parque Nacional da Tijuca e as mantivesse por duas décadas. Com isso, o espaço deve alcançar uma redução de 24% no seu potencial de aquecimento global.

Se a marca estender esse conceito pra toda sua rede, estamos falando de um grande feito.

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