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Esquinas do Esporte Por Alexandre Carauta, jornalista e professor da PUC-Rio Pelos caminhos entre esporte, bem-estar e cidadania

Por que a pelada, também na tela, faz tanto sucesso

Iluminada no novo sucesso de Adam Sandler, a quadra do bairro é uma fresta para o sonho e o respiro em meio a asperezas cotidianas

Por Alexandre_Carauta Atualizado em 25 jun 2022, 08h34 - Publicado em 24 jun 2022, 20h03

O velho e bom olheiro está de volta. Adam Sandler o redescobre em recente sucesso da Netflix.

Ao garimpar no subúrbio espanhol um diamante para a globalizada NBA, seu personagem enfrenta resistência da panela político-econômica. Descontado o glacê hollywoodiano, nada muito diferente das ligas esportivas mundo afora.

A conexão com a esquina aduba a popularidade de “Arremessando alto”. Dirigido por Jemirah Zagar, o filme-pipoca tangencia aquilo que o antropólogo Arlei Damo chama de bricolagem, irresistível abraço entre o amador e o profissional.

Representada pela várzea, a bricolagem caminha também no basquete de rua americano. Suas gingas, suas manhas, seus simulacros. “A rua é imbatível”, resume o jornalista e empresário Sérgio Pugliese, fundador do Museu da Pelada, régio cronista dos personagens e causos do folclore peladeiro. Histórias universais.

Brincar de jogar à vera une peladeiros de todos os tipos, todos os lugares. No rala-coco da praça, na terra batida da periferia, todos se imaginam Garrincha. Viram Hortência, Paula, Jordan, Curry.

E quando essas frestas oníricas expiram, fugazes igual beijo de novela, nos devolvendo aos boletos, às brutalidades, às chatices, ainda haverá, melhor que tudo, a resenha.

Vitória do encontro sobre a intransigência, do humor sobre a rabugice, da leveza sobre a truculência. A conversa fiada pós-jogo, patrimônio da cultura peladeira, dedilha singelos acordes de redenção em meio a retrocessos civilizatórios.

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A resenha não cega a lâmina da fome, da inflação, do extermínio no asfalto e na selva, da violência institucionalizada, da corrupção endêmica, do descaso com a dignidade alheia, da negligência com os direitos humanos, da deselegância. Mas ajuda a manter a espinha ereta e o coração tranquilo. Oxigena a corrida por tempos melhores.

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Educando a arquibancada

A cartilha do Vasco para abolir da arquibancada gritos homofóbicos transcende o oportuno apoio à militância LGBTQIA+ e o alinhamento ao histórico pioneirismo contra o racismo. Apoiado, em princípio, pelas torcidas organizadas, o manual de conduta soma-se aos esforços conjuntos – clubes, atletas, treinadores, imprensa, influenciadores – em torno do difícil e imprescindível amadurecimento dos estádios.

A desintoxicação configura-se tão desafiadora quanto inadiável. A alma dionisíaca dos torcedores e suas pulsões catárticas, legítimas estrelas do carnaval futebolístico, não devem abrir mais concessões a ataques discriminatórios. Não constituem uma dimensão paralela.

O amadurecimento exige iniciativas educativas, gerenciais, legais, jurídicas, fiscalizadoras. Até que um dia se tornará desnecessária uma cartilha para lembrar o óbvio.

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Alexandre Carauta é doutor em Comunicação, mestre em Gestão Empresarial, especialista em Administração Esportiva, formado também em Educação Física

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