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Por Carla Knoplech, jornalista e especialista em conteúdo digital
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Não, NFT não é um hype passageiro

Evento sobre NFT´s no Parque Lage prova que arte e tecnologia coexistem em um futuro promissor

Por Carla Knoplech
6 jul 2022, 18h47

Fui ao NFT Rio, o primeiro evento totalmente dedicado ao tema, que aconteceu semana passada no antológico palacete do Parque Lage, na zona sul do Rio de Janeiro, e a conclusão é a seguinte: a bolha dos tokens não fungíveis está sendo oficialmente estourada, tal qual a bolha da internet lá nos idos dos anos 2000. Vou pressupor que quem lê esta colunista ao longo desses dois anos tem alguma familiaridade com o mundo digital, então não vou explicar conceitos que estão se tornando básicos neste cenário descentralizado, mas preciso – com urgência – fazer um pequeno resgate histórico que defina o que é a Web3 (ou Web 3.0), o universo em que os NFT´s se inserem.

Podemos considerar que a Web 1 foi marcada pelos grandes navegadores da década de 90, que a Web 2 surgiu com a chegada das multiplataformas Facebook e Google e que a Web 3 começou pra valer há pouco tempo com o blockchain, que é esse grande banco de dados que registra a transação dos usuários de maneira imutável. Através dele é que existem os NFT´s que são esses certificados digitais de propriedade que podem atestar a posse desde um meme original até uma obra de arte, e é nesse último contexto que achei interessante trazer o olhar aqui compartilhado.

Em primeiro lugar, não se culpe (se esse for o seu caso) de não ter dado a devida atenção ao assunto “NFT” nos últimos tempos. Grandes nomes do mainstream tais quais a artista performática sérvia Marina Abramovic mudaram completamente de opinião sobre o assunto em questão de tempo. Em fevereiro desse ano, Abramovic disse a seguinte aspa em entrevista ao The Guardian: “Não gosto de ser uma artista antiquada que critica tudo que é novo. Adoro tudo que é novo. Sou curiosa. Mas com este meio, não vi boas ideias. Não vi bons conteúdos. Eu só vejo todo mundo falando sobre quanto dinheiro é possível ganhar. Eu nunca fiz arte por dinheiro. Todos os dias me pedem para fazer alguma coisa, dizendo: ‘Seu trabalho é perfeito para NFTs. Por que você não está fazendo alguma coisa?‘”, finaliza.

Eis que no mês passado a mesma Marina em entrevista ao ARTNews declarou que pela primeira vez uma obra de sua autoria viria em NFT. O lançamento da performance “The Hero”, originalmente lançada em 2001 como um filme, agora vai virar uma coleção de NFT´s a ser comercializada. Disse ela: “Nós descobrimos que o movimento da bandeira ao vento ganhava uma beleza própria e um novo significado a cada quadro. Não há dois quadros iguais. O vento, a bandeira – eles dançavam juntos, movendo-se como um organismo que respira. A partir daquele trabalho, estamos agora dando origem a milhares de NFT´s exclusivos. Isso é muito moderno. Esta é uma era muito aquariana”, explicou ela sobre a obra em que a artista está montada em um cavalo branco segurando uma bandeira branca no interior da Espanha.

A mudança de opinião de Marina simboliza a velocidade com a qual esse assunto está esquentando. No NFT Rio, por exemplo, em um salão nobre lotado de criativos, empresários e curiosos como eu – e deixo os plurais no masculino mesmo porque a presença feminina estava em torno de 30% da sala – uma mesa com expoentes do mercado digital e artistas cravou uma observação que pode redefinir os NFT’s no campo artístico: “A arte digital é mais democrática porque está em todo o lugar”, disse o criativo Marlus Araujo. Interessante esse campo de possibilidades. É notório o burburinho, por exemplo, no meio dos videoartistas, segmento esse que data da década de 60 e que agora vê uma corrente de ressignificação.

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Nesse ponto a curadoria do NFT Rio foi assertiva. Escolher o Parque Lage para abrigar a primeira edição do evento é dialogar com a essência histórica do local. Palco de movimentos artísticos importantíssimos para a arte brasileira, a Escola de Artes Visuais fundada em 1975 por Rubens Gerchman foi e é até hoje usina de talentos em todos os campos artísticos com foco especialmente no segmento visual. Nada mais auspicioso, portanto, que este ponto de partida físico para algo que transcende qualquer necessidade de materialização como é o caso desse tipo de token.

Fez parte da experiência também ver de perto a exposição física de alguns dos NFT´s mais famosos do mundo como Cryptopunks, XCopy e Fidenza, além de obras que integram o acervo do colecionador Cozomo de’ Medici, pseudônimo reivindicado pelo rapper Snoop Dogg, no ano passado. Eles estavam expostos na bela cavalariça, que fica ao lado do palacete. Vale, portanto, descruzar os braços para esse assunto, e entender que arte e tecnologia coexistem em um futuro absolutamente promissor.

Carla Knoplech é jornalista, fundadora da agência Forrest, de conteúdo e influência digital, consultora e professora

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