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Bruno Chateaubriand

Por Bruno Chateaubriand, jornalista
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Imperatriz: campeã do carnaval 2023 lança enredo para 2024

O testamento da cigana Esmeralda, escrito há mais de 100 anos pelo paraibano Leandro Gomes de Barros, é a aposta de enredo do carnavalesco Leandro Vieira

Por Bruno Chateaubriand Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
22 mar 2023, 20h16

“Com a sorte virada pra lua segundo o testamento da cigana Esmeralda” é o título do enredo que a Imperatriz Leopoldinense apresentará no carnaval de 2024. A ideia é mais um enredo pesquisado, desenvolvido, transformado em narrativa e visualidade com a marca autoral do carnavalesco Leandro Vieira. Segundo o artista, a proposta para o carnaval 2024 dá continuidade ao seu interesse em se debruçar sobre o Brasil e a obra de escritores populares que souberam dar contorno à imaginação de caráter fantástico como uma extraordinária vocação do povo brasileiro.

“É mais um enredo que olha para aquilo que há de mais simples, no sentido popular das coisas que estão na cabeça do povo. Livre do academicismo e próximo à cultura que emerge das vocações populares brasileiras, mergulho nesses anseios populares tão presentes no imaginário coletivo do Brasil das pessoas reais, ou seja, o Brasil que me desperta interesse e encantamento. Com o enredo que proponho agora, sigo mergulhado nos saberes populares que se utilizam da interpretação dos sonhos cotidianos para tomar decisões ou fazer apostas e também sobre a intenção de prever a sorte através da antecipação do futuro com o uso de meios fantásticos”, avalia o artista.

De acordo com o carnavalesco, o desenvolvimento do enredo é debruçado de forma livre sobre um pequeno folheto que fala sobre o encontro do testamento da cigana Bruges de Esmeralda e o descortinar do conteúdo de seus ensinamentos místicos. O folheto, escrito há mais de cem anos, é assinado por Leandro Gomes de Barros – escritor paraibano reverenciado por Carlos Drummond de Andrade como o “o rei da poesia do sertão”- com o nome de “O testamento da cigana Esmeralda”.

Na narrativa fictícia do folheto, este testamento foi trazido para o Brasil no interior de um barril por um grupo de ciganos. Ao falar com entusiasmo sobre o material literário de base popular que lhe serve de inspiração para o trabalho que virá, o artista dá dicas sobre aquilo que lhe desperta interesses artísticos na nova empreitada.

“No descortinar da leitura do folheto, a gente se depara com uma série de ensinamentos de caráter popular sobre a interpretação de sonhos, com uma tabela que predetermina dias felizes e dias de má sorte, com caminhos para a leitura da sorte na palma da mão e a influência dos astros nos caminhos humanos com direito, inclusive, a uma semana astrológica. É material para delírio carnavalesco pra tudo que é lado. E o melhor de tudo é que não precisa de longas teses ou muita explicação para ser compreendido. É cultura popular feita pelo povo e para o povo”, conclui.

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