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Bruno Chateaubriand

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Como foi o desempenho do Brasil nos Jogos Olímpicos?

Marcus Vinicius Freire, ex-CEO do COB, faz um balanço sobre pontos positivos e negativos do Time Brasil em Tóquio

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Atualizado em 9 ago 2021, 13h08 - Publicado em 9 ago 2021, 12h55

Em meio aos Jogos Olímpicos de Tóquio, promovemos uma série de lives com grandes nomes do esporte nacional. Bernardinho, Torben Grael, Gustavo Borges, Yane Marques, Carlos Alberto Parreira, Giba, Bruno Souza e Jorge Bichara estiveram presentes nas resenhas promovidas no Instagram de Veja Rio. Nessa jornada, Marcus Vinicius Freire, medalhista Olímpico de Voleibol em 1984 e ex-CEO do Comitê Olímpico do Brasil 2008/2016, compartilhou histórias e conhecimento. Para o fechamento de mais um ciclo olímpico, solicitamos uma analise final ao nosso campeão:

“Tóquio 2020/21 & Paris 2024
Esporte é planejamento de médio e longo prazo!

O quadro de medalhas sempre foi um ótimo parâmetro para uma analise precisa sobre o desempenho nos Jogos Olímpicos. Quando olhamos o resultado final de Tóquio 20/21, uma observação salta aos olhos: seguimos com os mesmos países no Top10 das últimas quatro edições olímpicas. Percebemos que todos eles seguem com a mesma estratégia: ganhar em pelo menos 12 modalidades diferentes, além de aproveitar bem as provas de atletismo e natação, nas quais são distribuídas quase 250 medalhas. Esta é uma receita quase infalível para quem deseja terminar entre os 10 primeiros.

Em Tóquio, a China quase bateu os EUA no número de ouros, o que, no meu modo de ver, aconteceu porque o país oriental controlou a pandemia do Coronavírus muito antes do resto do mundo, um fator – não o único obviamente – que fez desses Jogos um evento completamente fora dos parâmetros habituais.
Muitos especialistas,  me coloco nesse lugar,  tinham previsto poucos ou nenhum recorde quebrado, mas erramos. Provavelmente, os 12 meses de adiamento acabaram ajudando muitos jovens a se classificarem e, mais do que isso, derrubarem recordes olímpicos e mundiais nas provas na natação e atletismo por conta de um ciclo olímpico prolongado.

No entanto, atletas não vivem apenas de números e desempenhos físicos espetaculares. Não são máquinas. A pandemia também deu seu alerta no aspecto psicológico. Esperava-se que a ginasta Simone Biles fosse a principal estrela dos Jogos de Tóquio, como grande sucessora de Michael Phelps, mas ela mostrou ao mundo que os atletas de altíssimo rendimento são, antes de tudo, seres humanos vulneráveis às consequências da pandemia como todos nós – o que trouxe à tona a discussão sobre a saúde mental dos 8 bilhões de habitantes do planeta após o confinamento quase que obrigatório dos últimos 20 meses. Simone Biles foi o retrato humano de uma heroína olímpica. E foi muito bom que nos tenha feito refletir a respeito de um tema que costuma ser tabu no esporte de alto rendimento.

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Num olhar atento sobre os Jogos Olímpicos de Tóquio, a performance mostrou um resultado final melhor em Tóquio do que os Jogos do Rio, em 2016, mantendo o Brasil no grupo das top 15 potências olímpicas. Tanto as 19 medalhas de 2016 quanto as 21 de 2021 mostram uma performance muito superior às edições anteriores. Isso é fruto de trabalho e investimento de pelo menos 12 anos. Em Tóquio, somamos mais medalhas (21 no total), melhor colocação (12o contra 13o no Rio), maior número de modalidades no pódio (13). Temos, sim, que levar em conta nessa comparação a entrada de novos esportes em Tóquio, como skate e surfe, em que o Brasil ganhou 4 medalhas. Além disso, como ponto positivo, podemos destacar o grande número de brasileiros top 10 em suas modalidades.

Obtivemos os melhores resultados da história em muitas modalidades (tênis, badminton, tiro com arco, tênis de mesa). Mesmo que alguns desses esportes não tenham trazido medalhas, é importante ressaltar sua evolução.
Entre os desempenhos individuais, dois merecem destaque: Rebeca Andrade, como o melhor resultado de um atleta brasileiro em uma mesma edição de Jogos Olímpicos (ouro e prata); e Isaquias Queiroz, igualando o Serginho do vôlei com 4 medalhas (e desta vez com um ouro em homenagem ao treinador Jesus Morlán, que morreu vítima de câncer em 2018). Isaquias está apenas a uma medalha de igualar os recordistas Torben Grael e Robert Scheidt, ambos heróis da vela e cada um com cinco medalhas olímpicas no total.

Nos esportes coletivos, onde o Brasil sempre se destaca, tivemos o bicampeonato do futebol masculino apesar de ter encontrado adversários duríssimos, mas o feminino, a falta de uma medalha nos frustrou novamente, mas nos deu a certeza que a treinadora Pia Subdhage deve seguir no projeto; handebol feminino outra vez bateu na trave e ficou sem medalha, apesar de uma boa geração de craques e ótimas atuações.

Um ponto de atenção importante foi a não classificação do basquete; tanto no masculino como no feminino demonstra que a CBB precisa de um projeto veloz, com apenas três anos de preparação para remontar as rédeas e confirmar a classificações dessas seleções.

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E agora falando da modalidade que fui atleta, o voleibol. Tínhamos seis ótimas chances (duas na quadra e quatro na praia), na praia falhamos geral, pois nunca tínhamos faltado ao podium, desde Atlanta 1996. Me  pareceu que um descaso da CBV com a modalidade que deixou os oito atletas correndo sozinhos atrás dos resultados; no masculino de quadra perdemos a medalha no 3o set contra os russos, mas tínhamos muito mais time que a França para sermos ouro e no feminino a prata fez jus a qualidade do nosso desempenho, em uma final em que as americanas foram superiores.

O que esperar de Paris 2024?
Sonho com a sequência de evolução do resultado do Brasil com maior número de modalidades e atletas classificados, assim como mais atletas entre os dez melhores espalhados pelos 47 esportes olímpicos. E tenho, claro, a esperança de que o país chegue ao sonhado Top10 na classificação pelo número total de medalhas.
Para essa meta ser atingida precisamos que todos os astros estejam alinhados:

◦ Atletismo e natação devem contribuir com pelo menos 5 medalhas
cada um;
◦ Vôlei precisa ganhar as 3 medalhas habituais;
◦ Judô precisa repetir Londres 2012 com 5 medalhas;
◦ Vela também voltar aos melhores anos, de pelo menos 3
medalhas;
◦ Canoagem repetir o Rio com 3 medalhas,
◦ Boxe seguir seu ritmo de 3 medalhas;
◦ Futebol tentar o duplo pódio (masculino e feminino);
◦ Skate e surf repetirem os resultados do Japão,
◦ E que 4 outas modalidades ajudem a empurrar esse total para algo
maior que 27 medalhas

Eu acredito no Time Brasil !!! Que venha Paris 2024!!
Saudações olímpicas”

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Marcus Vinicius Freire
Medalhista Olímpico de Voleibol – Prata 1984
Ex-CEO do Comitê Olímpico do Brasil 2008/2016

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