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Analice Gigliotti Por Analice Gigliotti, psiquiatra Comportamento

Burnout: o que é a Síndrome que atinge o Príncipe Harry?

Membro da família real afirmou sofrer de intenso esgotamento

Por Analice Gigliotti Atualizado em 14 fev 2022, 11h59 - Publicado em 14 fev 2022, 09h35

Acaba de ser divulgada a agenda de comemorações pelo jubileu de platina da rainha Elizabeth II, da Inglaterra. Nestes 70 anos de reinado, Elizabeth testemunhou – quando não foi protagonista – os principais momentos da história contemporânea, como mostra a brilhante série “The Crown” (Netflix).

No entanto, foi na esfera familiar que a rainha travou algumas das mais duras batalhas: a morte precoce do pai – que acabou por levá-la ao trono -, as infidelidades do marido, os divórcios midiáticos dos filhos, as noras e genros ruidosos, a dificuldade em preservar a intimidade dos netos da hiperexposição. Neste contexto, Príncipe William parece mais enquadrado ao papel que está designado a ele na sucessão ao pai no trono.

Porém, seu irmão mais novo é diferente. Há algum tempo, Príncipe Harry se rebelou contra o sistema, parte inerente do estilo de vida da realeza: decoro, recato e discrição. Liberto das obrigações futuras com a monarquia, pode tratar de ser ele mesmo. Ainda adolescente, foi flagrado diversas vezes pelos tabloides britânicos em festas. Já adulto, casou-se com uma mulher negra, americana, atriz e cheia de opiniões, um verdadeiro pesadelo para a avó Elizabeth.

No começo de 2020, antes da pandemia, Harry, esposa e os dois filhos abriram mão do conforto da estrutura real britânica para começarem uma nova vida no Canadá. Foi um choque. Ano passado, Harry se aliou à apresentadora Oprah Winfrey para comandar na série “O meu lado invisível” (Apple TV) sobre o estigma que cerca os transtornos mentais. O rapaz aproveitou a oportunidade para assumir a dificuldade em lidar com a ausência da mãe, Lady Di, e suas crises de ansiedade.

Agora, eis que Harry volta ao noticiário. Em vídeo publicado nas redes sociais, o filho caçula do Príncipe Charles falou sobre sua experiência com o burnout, uma espécie de exaustão mental e física, geralmente associada ao excesso de compromissos na vida profissional. “Eu também sofro de burnout, estou sempre me sabotando nos dias difíceis”, afirmou ele, completando que nem sempre pode as coisas que gostaria por conta do estresse a que está submetido.

Desde janeiro deste ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera oficialmente a Síndrome de Burnout uma doença ocupacional e não mais um transtorno mental, definido-o como “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso”. Alguns dos sintomas são esgotamento de energia, desânimo, redução do rendimento profissional, sentimentos negativos relacionados ao trabalho, além de irritabilidade, ansiedade, falha de memória, dificuldade de concentração e baixo autoestima. Alguns sintomas físicos do transtorno são taquicardia, dor de cabeça, alteração no apetite, insônia e dificuldade de concentração. A pandemia e o home office potencializaram todos esses sentimentos.

Em resposta ao Burnout, para se manterem ativos e dispostos, os profissionais dão início a um ciclo nocivo à saúde, recorrendo a tranquilizantes e medicamentos estimulantes. O tratamento de Burnout não envolve uso de antidepressivos, mas eles podem ser necessários caso o transtorno se agrave.

Além de prover sustento, trabalhar deve ser mais que uma ocupação protocolar. O trabalho deve ser fonte de prazer e de realização na vida. Em nome da saúde mental, o trabalho deve se encaixar em uma rotina que respeite a vida pessoal e familiar – seja neto ou não de rainha.

Analice Gigliotti é Mestre em Psiquiatria pela Unifesp; professora da PUC-Rio; chefe do setor de Dependências Químicas e Comportamentais da Santa Casa do Rio de Janeiro e diretora do Espaço Clif de Psiquiatria e Dependência Química.

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