Wesley Santos ensina boxe a moradores da Rocinha

O garçom uniu‑se ao amigo e copeiro André Júnior numa iniciativa para manter as crianças moradoras de lá longe do crime

Há cerca de um ano, o garçom Wesley Santos, 35 anos, uniu‑se ao amigo e copeiro André Júnior, 34, numa iniciativa para manter as crianças moradoras da Rocinha longe do crime. Como ambos praticam boxe, resolveram dar aulas gratuitamente para a meninada. Começaram na laje da casa de Wesley, que é nascido e criado na comunidade, e hoje ocupam o espaço conhecido como Pracinha — um prédio doado a Júnior, construído na antiga praça do local. Hoje, a dupla tem cerca de 35 alunos, entre eles alguns adultos. “A ideia inicial era tirar as crianças da rua, mas ainda não atingimos completamente o nosso objetivo. A molecada aparece um dia e desaparece depois. Mas tudo bem, estamos abertos a quem quiser treinar. Não fazemos distinção”, conta Wesley, que trabalha à noite no Sushi Leblon e só pode dedicar uma hora do seu dia à boa ação. Fora o tempo exíguo, a dupla de amigos enfrenta outra dificuldade: a falta de verba para comprar material. “Uso o meu dinheiro para cordas, pesos, coisas pequenas. O Acelino Popó (tetracampeão mundial de boxe), por exemplo, doou luvas. A gente vai indo como pode. Mas parece que vai melhorar. A prefeitura ficou de nos dar uma ajuda de custo”, adianta. 

“Acredito que, ao entrar no esporte, as pessoas automaticamente mudam o rumo de sua vida”

Quando o apoio municipal sair, Wesley pretende melhorar a estrutura, ampliar os horários de aula da escolinha e, assim, atender um número maior de pessoas. “Acredito que, ao entrar no esporte, as pessoas automaticamente mudam o rumo de sua vida”, diz o garçom, que espera, ainda, incentivar as crianças da comunidade a estudar. “Tenho alunos que não estão no colégio. Um deles tem 7 anos, e já conversei com sua mãe sobre a importância de matriculá-lo na escola”, conta. Apesar disso, Wesley não planeja fazer do estudo um pré-requisito para participar dos treinos de boxe. “Não quero que seja uma obrigação, porque, se a gente fechar a porta, será pior para eles, que só terão a rua.”

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