Projeto oferece cirurgias vasculares gratuitas à população

Criado pelo angiologista Carlos Peixoto, Projeto Varizes atendeu mais de 1000 pacientes em 2017

Ao ser eleito presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro (SBACV-RJ), o médico Carlos Peixoto, cujo mandato se encerrou no fim do ano passado, criou o Projeto Varizes, com o objetivo de atender quem não pode pagar por uma cirurgia. Para se ter uma ideia, uma operação desse tipo custa entre 5 000 e 10 000 reais e há cerca de 3 000 pessoas na fila do SUS à espera do procedimento. “Essa doença é a quarta causa de incapacidade para o trabalho e pode acarretar problemas como a trombose. Não é uma questão estética apenas, como muita gente imagina”, explica o médico. Primeiro, Peixoto conseguiu o apoio do Ministério da Saúde. Depois, fechou uma parceria com o Serviço de Cirurgia Vascular da Uerj, e desde setembro de 2016 está à frente do atendimento gratuito na Policlínica Piquet Carneiro, que funciona dentro da universidade. “Usamos a escleroterapia, que consiste em aplicar uma injeção com medicamento em forma de espuma nas veias comprometidas para secar os vasos. Como essa técnica não necessita de anestesia nem exige internação, é uma alternativa mais rápida e barata”, diz o cirurgião vascular.

Junto com mais vinte colegas, Peixoto atendeu, só em 2017, mais de 1 000 pacientes. Apesar dos bons resultados, o projeto sofre com a burocracia. É que o encaminhamento precisa ser feito pelo Sistema Nacional de Regulação, por meio da Clínica da Família, que hoje funciona precariamente. “Já soube de gente que não conseguiu se cadastrar porque os computadores estavam com problema. Por isso o ideal seria que os interessados pudessem ir direto à policlínica”, opina. Não bastasse isso, o médico tem de enfrentar outro obstáculo diariamente: as condições financeiras dos pacientes. “Eles são muito carentes. Às vezes, não dispõem de dinheiro nem para a passagem nem para os remédios que têm de tomar depois. Então nós nos cotizamos para ajudá-los e pedimos apoio à iniciativa privada para doar ataduras e medicamentos”, conta Peixoto, sem se abater diante das dificuldades. “Quem faz medicina precisa gostar de pessoas, não apenas da mãe, do pai, do namorado… Tem de gostar do ser humano, do branco, do negro, sem distinção. E quem possui informação precisa passá-la adiante. Se todos fizessem isso, o Brasil seria melhor”, finaliza.

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