Participantes do Baile da Cinelândia pedem mais estrutura e segurança

No palco, montado nas escadarias da Câmara Municipal, se revezam bandas e artistas consagrados, incluindo nomes que fazem parte da história da música brasileira

O tradicional Baile da Cinelândia, que atrai foliões ao centro do Rio desde 1990, durante as cinco noites de carnaval, mantem seu charme, tocando marchinhas e músicas antigas e reunindo um público entre 8 e 80 anos de idade. No palco, montado nas escadarias da Câmara Municipal, se revezam até a madrugada bandas e artistas consagrados, incluindo nomes que fazem parte da história da música brasileira.

A estrutura do espaço, porém, está deixando a desejar, conforme relatam foliões, o que poderia estar afastando o público de mais idade e a presença das famílias. Há falta de banheiros químicos, mais policiamento e até um camarim para os artistas que se apresentam.

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“Acho que as autoridades deveriam prestigiar mais o nosso baile. Nós já tivemos mais de 10 mil pessoas por noite. Agora não”, disse o líder da Banda Som Nascente e criador da banda Guarda Municipal do Rio, maestro Perasio Sterque.

O baile foi criado pelo radialista Osmar Frazão, da Rádio Nacional, e já contou com a apresentação de nomes consagrados como Marlene, Emilinha Borba, Virgínia Lane, Roberto Silva e Carmem Costa. A primeira noite de festa é a sexta-feira que antecede o carnaval e, durante as quatro noites seguintes, o espaço entre a Câmara, o Theatro Municipal e a Biblioteca Nacional vira um grande salão a céu aberto, com preponderância das clássicas marchinhas e de músicas antigas, que se popularizaram no rádio, quando ainda nem existia televisão no Brasil.

Os shows da última noite, na terça-feira gorda (9), foram abertos por outra banda consagrada, a Tupy, do maestro Bruno Rodrigues, que mistura marchinhas antigas com sucessos atuais da MPB. “Tocamos músicas de todas as épocas”, disse ele. Rodrigues, que fundou a Tupy há 24 anos, também pediu mais atenção ao evento: “É um baile difícil de ser feito e há necessidade de maior infra-estrutura, pois aqui não há camarim. O back stage deixa a desejar”.

“Aqui é um palco cultural, estamos no coração do Rio, e vêm pessoas dos anos 50 e 60 fazerem suas apresentações. É preciso mais segurança. Nos outros anos estava mais cheio. Desta vez, como vimos muitas cenas de violência na cidade, houve uma redução de público, com receio de sair. A prefeitura tem que trabalhar bastante nesta questão, para incentivar mais as pessoas a irem às ruas”, disse a cantora Simone de Mattos, que também se apresentou neste ano.

Apesar das dificuldades, os turistas não pouparam elogios às apresentações, como Terezinha Borba. “É muito lindo, estão de parabéns. As bandas são maravilhosas”, disse a mineira que mora em Muriaé.

A Empresa Municipal de Turismo do Rio (Riotur) foi procurada, mas até a publicação desta matéria não se pronunciou sobre o assunto.

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