Operador levava mochila com R$ 300 mil para mulher de Cabral

Afirmação de ex-secretária de Adriana Ancelmo detalha o esquema de repasse de dinheiro

A ex-secretária da advogada Adriana Ancelmo revelou à Polícia Federal que o suposto operador financeiro do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), Luiz Carlos Bezerra, comparecia com frequência ao escritório da mulher do peemedebista “para entrega de valores em espécie”.

As quantias chegavam a até R$ 300 mil em dinheiro vivo levado “numa mochila”, contou Michelle Tomaz Pinto, a ex-secretária de Adriana.

Segundo a testemunha, as visitas de Bezerra ocorriam geralmente às sextas-feiras. Ela disse ter presenciado “as entregas” durante os anos de 2014 e 2015.

O relato de Michele reforça as suspeitas da PF e do Ministério Público Federal de que o escritório de advocacia de Adriana Ancelmo era usado pela organização supostamente liderada por seu marido para “lavar” dinheiro ilícito, inclusive por meio da aquisição de joias finíssimas e outros luxos.

Indagada se efetuava o pagamento de contas para Adriana e quais eram essas contas e, ainda, como os pagamentos eram efetuados, a ex-secretária afirmou que costumava pagar em dinheiro vivo faturas do cartão de crédito de até R$ 300 mil da mulher do ex-governador.

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Michelle depôs no dia 22 de novembro e disse que “se sente em perigo ou possivelmente ameaçada em razão das informações prestadas”. Ela afirmou “temer por sua segurança pessoal”, mas abriu mão, “neste momento, de proteção policial”.

O ex-governador e sua mulher foram presos na Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato que mira em obras milionárias contratadas pelo Rio. Adriana entregou-se nesta terça-feira (6) e, como o marido, ocupa uma cela na Penitenciária de Bangu. Entre outros presos da Calicute está Luiz Carlos Bezerra.

Indagada como Bezerra transportava os valores até o escritório de Adriana, a ex-secretária informou “que era numa mochila”. Questionada a respeito da quantidade de dinheiro em espécie que era entregue semanalmente, informou que “girava em torno de R$ 200 mil a R$ 300 mil”.

Michelle trabalhou no Ancelmo Advogados de 2005 a novembro de 2015. Ela afirmou à PF que um sócio de Adriana, Thiago Aragão, recebia Luiz Carlos Bezerra. Indagada se os valores eram repassados ao setor financeiro do escritório, ela disse que “algumas vezes esses valores ficavam acautelados no cofre que ficava na sala de Thiago sendo o mesmo sócio no escritório de Adriana Ancelmo”.

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