Mestre Mangueirinha dá aula de música a crianças

O foco de Carlos Henrique da Silva Vicente são aquelas deficientes ou de família pobre

Aos 6 anos, Carlos Henrique da Silva Vicente, ou Mestre Mangueirinha, começou a fazer suas primeiras batucadas na bateria mirim do Morro dos Macacos. Desde então, os instrumentos musicais não saíram mais de sua vida. “Acompanhei artistas renomados, como Naná Vasconcelos e Carlinhos Brown, viajando o mundo todo”, diz o atual diretor do Cordão do Boitatá e fundador do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Mirim Herdeiros da Vila. Nascido e criado na Zona Norte, o músico resolveu repassar o seu conhecimento há onze anos, quando começou a dar aulas gratuitas a crianças de famílias de baixa renda. “Se eu consegui, por que não ajudar e dar oportunidade a outros?”, pergunta.

“A vida é muito dura, principalmente para pais de deficientes. É muito bom levar suavidade e alegria para eles. É o que me faz levantar da cama todo dia”

Inicialmente, Mangueirinha atendeu alunos com deficiência auditiva em uma escola do Grajaú, depois passou com suas lições pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), em Laranjeiras, e há um ano e meio dá aula no Centro de Referência da Música Carioca Artur da Távola, na Tijuca, onde também há algumas crianças com deficiência. “Hoje em dia, todo mundo está perfeitamente integrado. Não há diferença entre eles. São todos da Bateria do Instituto Tim”, conta. “Avaliamos as dificuldades, vemos qual o melhor instrumento para cada um e explicamos devagarinho. Às vezes, no começo, precisamos ensinar individualmente”, explica o mestre, que conta com a ajuda de seis monitores. “A vida é muito dura, principalmente para pais de deficientes. É muito bom levar suavidade e alegria para eles. É o que me faz levantar da cama todo dia.”

Atualmente, o projeto atende mais de quarenta jovens, de 5 a 16 anos, do Complexo do Alemão, dos morros dos Macacos e da Formiga, e de outras áreas de baixa renda. As aulas acontecem aos sábados, das 10 às 12 horas. A partir das 9h30, o espaço está aberto para o café da manhã, também gratuito. “Ensinamos a tocar agogô, chocalho, caixa, repique e surdo, separadamente, para depois juntarmos todo mundo em um único ambiente”, detalha o mestre, que ainda leva os pupilos para se apresentar em teatros e praças. “Tocamos todos os ritmos, como maracatu, ciranda, afoxé e reggae”, ressalta, com todo o orgulho. Junto com o músico britânico Tom Ashe, há seis anos Mangueirinha também dá aula no Favela Brass, em Santa Teresa, outro projeto musical do qual participa. “É só se inscrever pela internet, as portas estão todas abertas”, avisa ele.

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