Leite de Rosas planeja agora reconquistar os jovens

Entre 1942 e 2009, fábrica deu um cheirinho especial à Rua Ana Néri, em São Cristóvão

UM PERFUME QUE VEM DO PASSADO

Tudo nasceu no bairro das Laranjeiras, em 1929, na casa do próprio fundador da empresa, o seringueiro Francisco Olympio de Oliveira, que veio do Amazonas para o Rio no fim do século XIX. A sede administrativa funcionava ali e, na verdade, a fábrica também, na garagem. Como se tratava de uma rua residencial, ele tomava cuidado extremo com o barulho, para não incomodar a vizinhança. Tanto era assim que esperava o bonde passar para, exatamente naquela hora, martelar as caixas de madeira em que despachava os produtos. Com o crescimento das vendas, a Leite de Rosas transferiu-se para o Jardim Botânico (na Rua J.J. Seabra) e, finalmente, em 1942, para São Cristóvão, onde mantém a sede até hoje, num prédio da Rua Ana Néri (em 2009, o parque industrial foi transferido para o Estado de Alagoas). Desde 1961, é a família de Henrique Ribas, genro de Francisco, que está à frente do negócio. Tendo como carro-chefe o desodorante líquido, uma solução à base de álcool, cânfora e extrato de pétalas de rosas brancas, que leva o nome da empresa, a marca passa por um momento de reformulação, querendo se aproximar do público jovem. Para isso, convocou o fotógrafo americano Andrew Gallo e sua esposa, Carissa, ela também profissional das lentes (responsáveis por peças de marketing de gigantes como Nike e Intel), para bolar a nova campanha, baseada em pessoas reais, no estilo gente como a gente. Ficam, portanto, cada vez mais num passado distante aqueles reclames em preto e branco estrelados por modelos invariavelmente loiras ou por artistas — Carmen Miranda entre eles —, com dizeres como “Estou feliz, durante todas as horas do dia me sentirei como se tivesse acabado de tomar meu banho”.

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