Juiz pede ao STJ que líder de milícia continue preso fora do Rio

Toni Angelo Souza Aguiar, que está fora do Rio desde 2013, continua no comando da milícia Liga da Justiça, que atua na zona oeste

O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) do Rio, Rafael Estrela, pediu à presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para manter no presídio federal de Mossoró (RN) o miliciano Toni Angelo Souza Aguiar, que está fora do Rio desde 2013. O condenado continua, mesmo preso e à distância, no comando da milícia conhecida como Liga da Justiça, que atua na zona oeste do Rio, segundo o magistrado.

Estrela levantou conflito de competência sobre a decisão do juiz corregedor de Mossoró, que no dia 20 indeferiu a prorrogação da permanência do ex-policial militar em presídio federal. O magistrado do Rio pondera que o retorno de chefes de facção, como Toni Angelo, só agravará “a sensação de insegurança e instabilidade” diante da crise que vive o estado.

“Fica evidente o poder de articulação e comando exercido pelo apenado, que não só se beneficia do conhecimento que dispõe do seu tempo nas fileiras da corporação, como exerce influência entre seus ex-colegas”, afirma o juiz do Rio de Janeiro.

A Justiça fluminense tem condenado Toni Angelo por vários crimes. A sentença mais recente foi emitida pela 42ª Vara Criminal do Rio em 17 de fevereiro, de 12 anos de reclusão por formação de quadrilha.

O juiz Rafael Estrela avalia que o relatório elaborado pela Secretaria de Estado de Segurança, que serviu de base para pedir a permanência do preso em presídio federal, “destaca a posição de liderança e a influência do apenado na organização criminosa conhecida como Comando Vermelho – CV”.

O magistrado lembrou avaliou que “sua manutenção fora dos limites territoriais do Estado do Rio de Janeiro atende a atual política de segurança pública de pacificação, na medida em que o afastamento dele causa um grande impacto na articulação dos integrantes da mencionada facção criminosa”.

A facção

A Liga da Justiça foi criada entre os anos de 1995 e 1996 e tem como símbolo um morcego de asas abertas, numa alusão a um de seus fundadores, Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, que cumpre pena na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). ]

O grupo miliciano começou dando segurança a comerciantes do bairro de Cosmos, na Zona Oeste da capital fluminense. Depois, estendeu sua área de atuação para Campo Grande, Inhoaiba e Santíssimo, na mesma região, onde passou a controlar a venda de gás, sinal de TV a cabo e oferecia também segurança aos moradores, que tinham na frente da casa, o símbolo do morcego, sinal de que estavam protegidos pela milícia.

Também foram condenados por integrar a facção o ex-vereador pela Câmara Municipal do Rio Jerominho Guimarães e seu irmão, o ex-deputado estadual Natalino Guimarães. Os dois eram policiais civis.

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