Detalhes sobre a cidade abastecem os 148 verbetes do livro Rio Secreto

Relíquias históricas, curiosidades arquitetônicas e outras peculiaridades são desconhecidas até mesmo para alguns cariocas

A cada página, uma surpresa. Com seus imponentes 9 metros de altura, a reprodução de uma coluna de Persépolis, capital do império persa, foi trazida do Irã. Na fachada verde voltada para a movimentada Avenida Rio Branco, vigiam o movimento estátuas de uma rara construção neoegípcia. “Entre tantas descobertas, impressionou-me bastante a cela onde ficou Tiradentes (1746-1892), ainda preservada no Museu do Hospital Militar, na Ilha das Cobras”, conta o francês Thomas Jonglez. Ele é o idealizador de Rio Secreto (Editora Jonglez, 319 págs., R$ 69,90), livro recém-lançado que traz essas e outras saborosas informações sobre a cidade em 148 verbetes ilustrados. Curiosidades arquitetônicas mais ou menos discretas, caminhos pouco frequentados, marcos históricos e outras preciosidades cariocas compõem o lançamento em formato de guia de viagem, para caber no bolso, repleto de dados históricos e dicas sobre visitação.

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Jonglez lembrou das origens ao iniciar o projeto. Decidiu flanar (do francês flâner), bater perna por aí e conversar com quem encontrasse. Assim conheceu o diplomata aposentado Manoel de Almeida e Silva, que se encantou com a ideia e convocou outros colaboradores — o nome dos dois aparece na capa do livro, ao lado de Márcio Roiter, presidente do Instituto Art Déco Brasil, mas também são citados como autores o pesquisador Bruno Frederick Toussaint Pereira, o diplomata Pedro da Cunha e Menezes, ex-chefe do Parque Nacional da Tijuca, o arquiteto Carlos Fernando Andrade e Sergio Lamarão, doutor em história, com mestrado em planejamento urbano. Foram três anos de caminhadas, pesquisas e conversas até a primeira tiragem. “Consultamos outros livros do gênero para descartar itens que já fossem mais conhecidos. Os participantes foram liberados para tratar do que achavam mais interessante”, conta o dono da ideia.

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O prazer dessas descobertas chega ao leitor. Você sabia que, uma vez por semana, em um espaço no prédio da antiga Estação Leopoldina, fãs do transporte ferroviário reúnem-se para fazer andar seus trens em miniatura? E de onde vem o termo pão de açúcar? Já viu a marca da caverna do Batman na estação do metrô Cardeal Arcoverde? Há verbetes de pontos mais conhecidos, como o hangar do Zeppelin, em Santa Cruz, ou a estátua do Bellini, no Maracanã (que não tem o rosto do capitão da seleção de 1958!), mas a leitura é diversão garantida. “Os moradores de uma cidade estão acostumados com sua paisagem. É interessante que alguém de fora apresente esse olhar estrangeiro, com a curiosidade e a atenção que temos quando fazemos uma viagem”, opina o coordenador de Rio Secreto.

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Thomas Jonglez morava na França e trabalhava em uma fábrica de aço inoxidável quando, em 1995, decidiu escrever sobre peculiaridades de Paris. A boa acolhida ao título levou-o a abrir a editora e investir no filão. Assinou mais obras a respeito de cidades onde morou, como Bruxelas e Veneza, e editou trabalhos alheios sobre, entre outras, Madri, Londres, Amsterdã, Nova York e Lisboa. A edição carioca é a 41ª. Com a mulher e os três filhos, o editor e autor mudou-se para o Brasil há quatro anos. Seria razoável supor que já estivesse de malas prontas, mas não é bem assim. Ele já começou um projeto sobre São Paulo e estuda outras capitais brasileiras. “Posso trabalhar daqui. Não estou pronto para deixar a cidade. Amo o Rio e pretendo ficar enquanto me sentir encantado”, diz. A propósito: a coluna de Persépolis, citada no início do texto, fica na Praça Pedro II, no final da Rua São Cristóvão.     

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