Hebert Martins promove ações esportivas na comunidade do Andaraí

O policial militar dá treinos funcionais aos idosos, gratuitamente, e aulas de futebol para a garotada

Hebert Soares Martins é professor de educação física e dono de três academias de musculação em Campo Grande, onde mora e foi criado. Mesmo assim, há quase três anos decidiu entrar na Polícia Militar. Como soldado, foi incorporado à equipe da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Andaraí. Ao conhecer os moradores da comunidade, percebeu que podia fazer mais do que ajudar a garantir a segurança local. “Eu me senti na obrigação de contribuir para a formação de pessoas melhores e para a transformação dos adultos”, explica. Pediu, então, autorização à corporação para dar treinos funcionais aos idosos, gratuitamente. Conseguiu. “A princípio, era só para a terceira idade, mas hoje tenho alunos na faixa dos 40 anos que, por estarem acima do peso, quiseram participar. Aí, liberei, porque é muito bacana ver a evolução deles. A aluna mais idosa, de 81 anos, mal andava quando chegou, e agora pula e faz abdominais. Só falta dar cambalhota (risos)”, graceja o professor. O sucesso do projeto para a terceira idade foi tanto que Hebert resolveu ampliá-lo. Há cinco meses, ele juntou a garotada e passou a dar aulas de futebol também. “Fiz isso para tirar o foco das crianças do ambiente hostil da comunidade. A ideia não é formar grandes atletas, mas, sim, homens de bem”, afirma o soldado, que exige que os meninos estejam estudando.

“Eu me senti na obrigação de contribuir para a formação de pessoas melhores e para a transformação dos adultos”

Para manter as aulas e comprar material, Hebert, além de usar o próprio dinheiro, conta com a colaboração dos amigos. E ainda leva os coletes dos garotos do futebol para a mãe lavar. “Dinheiro não é tudo, o importante é ajudar o próximo. Se cada um fizer a sua parte, acredito que a violência tenha solução. Eu faço esse trabalho por amor e espero que o projeto cresça e transforme a vida das pessoas”, diz o rapaz, de 28 anos, que contrariou os pais ao se tornar policial. “Eles se opuseram, porque, como boa parte da população, não gostavam da corporação. Mas mudaram de ideia. Hoje, por causa desses projetos, eles me veem como um herói de farda”, brinca.

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