Após Rio 2016, Comitê Olímpico leva jovens para Jogos de Inverno

Brasileiros foram contratados por empresa que faz cobertura oficial do evento

A estudante de engenharia da UFRJ Fabiana Fonseca: será sua primeira viagem internacional

A estudante de engenharia da UFRJ Fabiana Fonseca: será sua primeira viagem internacional (Anna Fischer/Veja Rio)

Apesar do verão recém-iniciado, Fabiana Fonseca anda de olho nas promoções de roupa de frio. O estranho hábito tem a melhor explicação possível. A moradora da Vila da Penha integra o time de trinta jovens que atuaram na Rio 2016 e que, após o bom desempenho, foram selecionados para bater ponto na próxima edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, marcada para acontecer em fevereiro na Coreia do Sul. Para muitos, será a primeira viagem ao exterior. “O lugar mais distante que eu já visitei foi Tiradentes, em Minas”, confessa Fabiana, que estuda engenharia na UFRJ. A tropa de elite é formada por alunos de universidades de primeira linha, que foram contratados pela OBS (sigla em inglês para Serviço de Radiodifusão Olímpica), empresa do Comitê Olímpico responsável pela cobertura jornalística oficial dos maiores eventos esportivos do planeta.

Beatriz Elias: o inglês afiado ajudou na seleção para trabalhar na Coreia do Sul

Beatriz Elias: o inglês afiado ajudou na seleção para trabalhar na Coreia do Sul (Felipe Fittipaldi/Veja Rio)

Para atuar nos jogos de 2016, grande parte dos convocados fez o programa de treinamento da entidade, que seleciona quem tem perfil para fazer parte da companhia. Falar bem inglês é pré-requisito básico, já que vários setores são comandados por estrangeiros. “Como minha mãe é professora, estudei o idioma por oito anos e também tenho noções de francês”, informa a estudante de medicina Beatriz Elias, uma das escolhidas. Após a experiência na Rio 2016, muitos manifestaram interesse em voltar a prestar serviços à OBS, que, entre janeiro e setembro, entrou em contato com os candidatos para os Jogos na Ásia. A seleção foi criteriosa. “Das quarenta pessoas com quem trabalhei diretamente, só sei de uma menina, além de mim, que vai”, afirma o estudante de engenharia Gustavo Santos.

Novo local de trabalho: pista de patinação no gelo em PyeongChang

Novo local de trabalho: pista de patinação no gelo em PyeongChang (Kyodo News/Getty Images)

A data de ida dos brasileiros está agendada de acordo com a área de atuação. Quem é de logística, como o futuro engenheiro Rodrigo Fonseca, precisa chegar na primeira semana de janeiro. Já quem vai cuidar de setores como a produção de reportagens, caso da jornalista Laís Andrade, terá mais trabalho durante os Jogos e viaja no fim do mesmo mês. Uma vez na Coreia, esses jovens desempenharão as mais diferentes funções. A designer Sara Machado, de 24 anos, coordenará a parte gráfica dos vídeos. O universitário Leandro Lima, de 23, enviará as imagens das competições do Oriente para Madri, onde fica a sede da OBS. Em sua maioria, eles acumularão responsabilidades maiores do que aquelas que tinham em 2016. Maria Júlia Vasconcelos é um exemplo: ela será chefe da equipe de apoio a instalação e posicionamento de câmeras da qual fez parte no Rio. “Até comecei a estudar coreano”, diz a cineasta. Entretanto, o aumento da carga de trabalho será recompensado com salários em euro. Em alguns casos, o valor chega a ser três vezes maior do que o que foi pago durante a Rio 2016.

Tradicionalmente, as edições de inverno dos Jogos Olímpicos apresentam números mais modestos do que as de verão. Na de fevereiro, não será diferente. Enquanto o Centro de Transmissão Internacional (ou IBC, na sigla em inglês) carioca abrigou 21 000 profissionais que produziram mais de 7 000 horas de vídeo, a versão coreana receberá 6 000 pessoas e deve gerar 4 000 horas de imagens. A convocação dos brasileiros é um reconhecimento da formação dos jovens e da qualidade de seu trabalho nos Jogos do Rio. Requisitados e bem remunerados no exterior, muitos enfrentam o fantasma do desemprego na própria cidade, onde seis em cada dez desempregados têm entre 18 e 39 anos. Na Coreia, eles não vão precisar se preocupar com isso, mas terão outros desafios. O primeiro é pronunciar corretamente o nome da cidade-sede PyeongChang (em coreano, lê-se raion tsã). ß

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