Após incêndio, alunos da UFRJ não têm previsão de volta às aulas

O prédio atingido, símbolo do modernismo carioca, abriga a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e a Escola de Belas Artes (EBA)

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 (Anita Prado/)

O termômetro marcava 38 graus em 13 de fevereiro, uma segunda-feira. Sem ar condicionado ou ventilador, os estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Federal do Rio de Janeiro assistiam à aula aglomerados no mezanino do saguão de entrada do prédio onde funciona a escola. Em meio às pranchetas desgastadas, o professor expunha o conteúdo relativo ao fim do semestre passado, timidamente instalado num banquinho. Em um dos cursos mais concorridos da universidade, a situação era de puro improviso. A origem do descalabro remonta a outubro de 2016, quando um incêndio atingiu o 8º e último andar do prédio na Ilha do Fundão, onde funcionava também a reitoria da universidade. Além de carbonizarem o pavimento onde o fogaréu se iniciou, as chamas afetaram toda a estrutura elétrica e hidráulica, comprometendo o funcionamento no restante dos pavimentos. Graças à cooperação entre alunos e professores, previa-se que a reposição das aulas do segundo semestre de 2016 estivesse concluída, na base do jeitinho, até o Carnaval, em espaços adaptados como sacadas e corredores, ou numa das poucas salas liberadas pelo Corpo de Bombeiros após o desastre. “Estudei muito para entrar na melhor faculdade federal de arquitetura no país, e não temos nem como usar o banheiro”, reclama o estudante Rodrigo Vellasco, que se mudou de Cabo Frio para o Rio para estudar na UFRJ.

Além da FAU e da reitoria, o prédio no Fundão abrigava outras faculdades, como a Escola de Belas Artes (EBA), em que as aulas só puderam ter sequência após o incêndio com a redistribuição dos alunos por outras unidades da universidade. “É injusto uma escola de 200 anos ficar sem teto. Hoje, nossos 2 700 alunos estão espalhados”, desabafa a vice-diretora da EBA, Madalena Grimaldi. No caso da FAU, atualmente com 1 470 alunos, ainda não há data prevista para as aulas serem retomadas. Para o diretor Mauro Santos, com as instalações arruinadas, não existe previsão de quando será possível dar início ao primeiro semestre de 2017. “Estamos em um estado de penúria, sem condição nenhuma de ficar aqui. Seria um perigo para o corpo acadêmico”, afirmou ele. Em uma carta aberta, divulgada no dia 2 deste mês, a direção da faculdade determinou seis itens obrigatórios para que os cursos sejam retomados, entre eles a liberação do 5º andar do prédio. Segundo a assessoria da reitoria da UFRJ, a reforma do espaço dificilmente será concluída antes do segundo semestre de 2017. “O MEC autorizou 25 milhões de reais para a intervenção, mas até dezembro só havia a liberação de 9 milhões”, explicou um dos assessores do gabinete. Em caráter emergencial, terão prioridade as obras de escoramento da estrutura, a retirada dos escombros e os reparos emergenciais no andar atingido pelo incêndio.

Uma das edificações mais emblemáticas da Cidade Universitária, premiada na IV Bienal de São Paulo, de 1957, pelo seu projeto arrojado, o prédio, concluído em 1961, foi projetado pela equipe do arquiteto Jorge Machado Moreira, que deu nome ao local. Representante da chamada Escola Carioca, é marcado por amplos vãos livres envidraçados, pilotis, escadarias monumentais e terraços com paisagismo de Roberto Burle Marx. “O incêndio não destruiu apenas parte das instalações da universidade, mas foi um duro golpe para a arquitetura carioca”, lamenta o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro, Jerônimo Moraes. Tombado pelo município por um decreto do prefeito Eduardo Paes em dezembro, o prédio é um símbolo concreto — e chamuscado — do descaso com a educação e o patrimônio.

Abandono e improviso

Como se encontram as instalações da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

› A entrada do prédio As cadeiras e mesas que não foram danificadas durante o incêndio estão amontoadas

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 (Anita Prado/)

› Sala de aula Com andares inteiros interditados, os alunos levaram as pranchetas para espaços abertos no prédio

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 (Anita Prado/)

› Estrutura comprometida Rachaduras e infiltrações atingem toda a área externa do prédio

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 (Anita Prado/)

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