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Para Wilson das Neves

Em atividade há mais de meio século, o baterista carioca de 76 anos lança, na terça (2) e na quarta (3), CD que passeia pelo samba de gafieira

Por Rachel Sterman
Atualizado em 5 dez 2016, 14h49 - Publicado em 28 mar 2013, 19h44

Em atividade em palcos e estúdios há mais de meio século, o baterista carioca de 76 anos é patrimônio da música brasileira. No Carnaval, defende as cores da Império Serrano. No resto do tempo, acompanha estrelas ? toca com Chico Buarque há mais de duas décadas ?, além de se divertir entre seus jovens colegas da Orquestra Imperial. Aos 60, em 1996, soltou a voz no disco O Som Sagrado de Wilson das Neves e gostou da ideia. Seu quarto CD como compositor e intérprete, Se Me Chamar, Ô Sorte, um elegante passeio pelo samba de gafieira, ganha lançamento na terça (2) e na quarta (3) no Espaço Sesc.

A carreira de cantor engrenou tarde. Por quê? Pode dizer: eu já era coroa! Na verdade, me lançaram. À época me convidaram para fazer um disco instrumental, mas não topei porque já havia gravado cinco e acho um negócio muito restrito, só para aficionados. Minha ideia era gravar minhas composições com alguém cantando. No fim, levei ao produtor Esdras Pereira uma demonstração comigo cantando, e ele decretou: ?Se é assim que você canta, vamos gravar com a sua voz mesmo?. A bateria é minha amante, tudo que conquistei na vida foi por causa dela, mas cantando já ganhei três prêmios e tocando, apenas um. Será que canto melhor do que toco bateria?

Como surgiu seu bordão ?ô sorte?, agora no título do CD? Certa vez o cantor Roberto Ribeiro, que era da mesma escola de samba que eu, chegou em um ensaio, me viu no meio da bateria e gritou: ?Você é Império Serrano? Ô sorte!? Toda vez que nos encontrávamos, essa era a saudação. Depois que ele morreu, seu filho, Alex Ribeiro, continuou com isso. É uma espécie de agradecimento a tudo de bom que me acontece.

Um pé no samba da antiga, o outro na Orquestra Imperial. O senhor é tradicional ou moderno? Nós estudamos o clássico para tocar o popular. Não me considero nem um nem outro, porque música é universal. Sou apenas um profissional competente, e a prova disso é o número de pessoas com as quais eu já toquei. Com a Orquestra Imperial eu aprendo todo dia. Eu sou um e eles, os jovens, são vários. Fico com eles enquanto eles me quiserem.

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