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Tocha Olímpica une brasileiros em torno dos Jogos

Recebida com pompa e circunstância no Rio, a chama acesa na Grécia acumulou no trajeto pelo país registros emocionantes e também constrangedores. Mas, em três meses de peregrinação, foi inegável seu poder de união

Por Daniel Hessel Teich Atualizado em 5 dez 2016, 11h09 - Publicado em 10 ago 2016, 01h00

A descrição de muitos dos brasileiros que conduziram a tocha olímpica pelo país costuma ser parecida. Primeiro vem a emoção quase paralisante, seguida de um arrepio — afinal, se trata de uma das mais icônicas cerimônias da civilização ocidental. Foi com essa carga simbólica que a chama acesa na Grécia chegou ao solo carioca na quarta-feira, 3, às 9h13. O desembarque aconteceu com pompa e circunstância: depois de atravessar a baía, trazida de Niterói de barco pelos velejadores Lars e Torben Grael, a tocha aportou na Escola Naval dentro de uma lamparina. À sua espera estava o prefeito Eduardo Paes, vestido com o uniforme branco dos participantes do revezamento. Ali, ele acendeu a tocha, deu uma caminhada e passou a chama para uma estudante, em um ato marcado pela quebra de protocolo. Em seguida, a labareda sagrada passeou pelo Centro cercada por policiais tensos. Um dos condutores, numa fanfarronice fora de propósito, abaixou o calção em um protesto contra o governo Temer e foi imediatamente retirado da corrida pelos homens da Força Nacional.A longa viagem da tocha de certa forma justifica o nervosismo visto no Rio. Da mesma forma que foi celebrada em mais de 325 cidades, a tocha acumulou momentos constrangedores, como a infame morte da onça usada na apresentação em Manaus, a tentativa de apagá-la com um extintor em Santa Catarina, e até a queda da empresária Luiza Trajano, no interior de São Paulo, à frente das câmeras de TV. Mesmo com tantos percalços, o saldo da viagem do fogo dos gregos foi inegavelmente positivo, ao unir o país em torno do ideal que sustenta os Jogos desde 1896.

 

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