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Sol Azulay: “Não dá para sexualizar a aeromoça no Carnaval”

Estilista fala sobre a onda de sátiras políticas e a tomada de consciência dos foliões

Por Cleo Guimarães - 7 fev 2020, 12h51

Preste atenção na fantasia que você está usando: ela pode passar muito mais mensagens. “Aquilo que sempre foi sendo visto como engraçado não tem mais graça nesse momento em que vivemos uma violência gigantesca”, diz a estilista e figurinista Sol Azulay, que vai comandar neste sábado (8) uma oficina de fantasias no Barracão da Aurora, no Solar dos Abacaxis, no Cosme Velho. “A nega maluca não faz mais sentido. Pintar a cara de preto não é piada. Assim como não dá para sexualizar a enfermeira, a aeromoça, a colegial. Isso não é para ser visto com essa conotação sexual”.

Para Sol, a política chegou de vez ao Carnaval. “É fundamental continuar nessa onda de satirizar, ironizar os maus tratos, o descaso dos governantes. O Fora Temer só mudou de forma, e é fora tudo isso. Temos mais três anos de ‘Ele não’. E é não a esse presidente, a esse governador, a esse prefeito, não a essa religião comandando a política. Não a tudo isso. Cada vez mais”, conclui.

A programação de carnaval do Solar dos Abacaxis é das mais intensas, aliás. Além da oficina (é possível levar peças para customizar), também acontecem aulas de fantasias para crianças e o lançamento da coleção de cabeças de carnaval que Sol criou este ano. Na sexta-feira (14), é hora de botar pra jogo o que criou (ou comprou), no Baile da Aurora Sincera.

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