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Sandra Silva oferece exames gratuitos em comunidades carentes

Em janeiro de 2015, as ações filantrópicas de Sandra ganharam uma estrutura formal, com a fundação da Associação Beneficente Sandra Silva (ABSS) 

Por Heloíza Gomes Atualizado em 5 dez 2016, 11h03 - Publicado em 26 set 2016, 21h09

A educadora Sandra Silva tinha apenas 6 anos quando prometeu à mãe, uma costureira analfabeta, que venceria na vida. “Foi em cima da laje, no réveillon. Só tínhamos leite, água e açúcar em casa. Com apenas isso, passamos três dias”, recorda. A promessa foi cumprida. A menina do Complexo da Maré cresceu, estudou e, hoje, aos 53 anos, é proprietária de três escolas técnicas, de enfermagem, telecomunicações e estética. Mas nunca esqueceu o passado de privações. Por isso, assim que teve condições, resolveu ajudar a quem precisa. Há quinze anos, comprou um ônibus e, com o auxílio dos professores e alunos de seus cursos, saiu visitando comunidades carentes e oferecendo exames gratuitos de colesterol, glicose e pressão arterial. “A verdade é que as pessoas carentes só vão ao médico quando estão doentes; não praticam a saúde preventiva”, afirma Sandra. 

Outro drama familiar, há mais de dez anos, fez Sandra se voltar para o problema da dependência química. Um tio alcoólatra, que estava morando na rua, apareceu machucado, depois de levar uma surra. Ela, então, foi com ele ao Centro de Recuperação Desafio Jovem Ebenézer, em Seropédica. “Ao chegar lá, eu me lembrei do meu pai, que também era alcoólatra”, diz. A partir daí, a educadora começou a colaborar com a instituição, recolhendo doações entre os conhecidos. 

Em janeiro de 2015, as ações filantrópicas de Sandra ganharam uma estrutura formal, com a fundação da Associação Beneficente Sandra Silva (ABSS), em Ramos, e passaram a ter caráter oficial — a de saúde preventiva virou Rio Ação Total e a de ajuda a dependentes químicos, Bom Samaritano. Há seis meses, somou-se a elas o projeto Cidadania Musical, que oferece aulas gratuitas de música. Apesar do tamanho, as iniciativas estão à mercê da boa vontade dos voluntários. “Nós não contamos com o apoio de empresas. Para ser sincera, tenho vergonha de pedir. Sempre fui trabalhadora e acho que essa é a minha missão de vida”, diz. Entretanto, ela não dispensa doações espontâneas. E dá a dica: “Seria bom recebermos fitinhas para medir glicose”.

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