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Roched Seba resgata e reabilita animais da fauna silvestre do Rio

Mais de 8 000 bichos já foram beneficiados com a iniciativa

Por Fernanda Thedim - Atualizado em 13 fev 2020, 11h48 - Publicado em 5 fev 2020, 13h25

O publicitário Roched Seba estava saindo da Barra, a caminho da Zona Sul, quando recebeu a mensagem de uma amiga: ela havia achado uma preguiça no meio da rua. O bicho estava estranhamente imóvel, sob o sol escaldante, em uma área residencial de São Conrado. Na mesma hora, Seba deu meia-volta e foi ao encontro do animal. “Se não fosse retirada dali, ela poderia morrer. Parecia cansada e desidratada, por isso não conseguia se locomover”, recorda. Apelidada carinhosamente de Dorival, a preguiça foi levada para um dos centros de reabilitação do Instituto Vida Livre, organização não governamental criada por Seba em 2015 para desenvolver projetos de recuperação e conservação da fauna silvestre. Passou oito dias sob tratamento até recobrar as forças e poder voltar para a natureza. Atualmente, estão sob os cuidados da entidade um filhote de ouriço-cacheiro e dois pequenos beija-flores-rabo-de-tesoura, entre outros animais.

“A cidade e a floresta se misturam no Rio de Janeiro. É fundamental entendermos que precisamos conviver em harmonia com ela”

Desde que fundou a ONG, Seba estima que já tenha reabilitado mais de 8 000 bichos em situação de risco. Na lista há cobras, preguiças, pacas, tatus, tamanduás, gatos-do-mato e vários tipos de ave. Alguns foram resgatados diretamente pela equipe do Vida Livre, outros encaminhados pelo Ibama, que apreende com frequência animais retirados da Mata Atlântica do Rio por traficantes. “A cidade e a floresta se misturam no Rio de Janeiro. É fundamental entendermos que precisamos conviver em harmonia com ela”, diz Seba. O instituto, prestes a ganhar uma sede administrativa no Jardim Botânico, conta com o auxílio de uma equipe de veterinários liderada pela doutora Danielle Aires — Seba e Danielle se conheceram quando o publicitário fazia mestrado em engenharia de produção na UFRJ e, paralelamente, realizava trabalho voluntário no zoológico de Niterói. Juntos desde o início do projeto, os dois fazem as solturas em duas áreas da cidade, onde os bichos podem voltar a seu hábitat em segurança. “Quando soltamos um animal, estamos soltando a gente também. A liberdade é um valor que precisamos reforçar”, conclui Seba.

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