Relatório da prefeitura identifica 15 pontos de venda de drogas no asfalto
Locais não foram divulgados para não atrapalhar as investigações, mas o mapeamento foi entregue ao Governo do Rio

Um levantamento das secretarias municipais de Ordem Pública e de Assistência Social identificou 15 pontos fora de comunidades no Centro e nas zonas Norte e Sul do Rio onde traficantes estão vendendo crack e outras drogas. Os locais não foram divulgados para não atrapalhar as investigações, mas o mapeamento foi entregue ao Governo do Rio.
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“Ouso dizer que a presença do traficante fideliza o usuário naquele espaço”, disse ao portal G1 a secretária de Assistência Social, Martha Rocha: “Passamos para o governo fotografias, indicativos dos locais, descrições das pessoas [que vendem], horários das vendas”. O próprio G1 flagrou a situação e, locais como a Praça do Ó, na orla da Barra da Tijuca; a Avenida Mem de Sá, a poucos metros dos Arcos da Lapa e da Escadaria Selarón; a Praça Cristiano Ottoni, colado ao Comando Militar do Leste, o QG do Exército.
A cidade chegou a ter 150 áreas mapeadas em diferentes bairros, segundo o Censo de População em Situação de Rua feito pela prefeitura do Rio em 2018 — este é o número mais recente divulgado, apesar de ter havido uma rodada em 2022. Segundo a prefeitura, esse número aumentou, de acordo com dados colhidos no ano passado e que serão informados em 2025. “A gente percebe pelas nossas abordagens, e o Censo de Rua de 2024 deve trazer essa confirmação”, disse ao portal o secretário de Ordem Pública do Rio, Brenno Carnevale — o documento ainda não tem previsão de publicação. Em 2022, o censo apontou que 6.778 pessoas que viviam nesta condição eram dependentes químicos — muitos deles usuários de crack.
Nas contas do Disque Denúncia, são 77 “cenas de consumo” em 35 bairros. Os números foram contabilizados a partir de reclamações da população nos últimos meses. Segundo o levantamento do Disque Denúncia, Centro, Jacarepaguá, Bangu e Copacabana têm mais pontos de venda e consumo da droga. O secretário estadual de Segurança do RJ, o delegado federal Victor dos Santos, disse que a responsabilidade sobre as cracolândias é de todos: “A gente tem que entender que o usuário de drogas não é um problema de polícia. A legislação antidrogas protege a saúde pública. Quem diz que maconha, cocaína e crack causam dependência física ou psíquica — e por isso é uma droga proibida — é o Ministério da Saúde, não é a polícia. Claro que a polícia tem o dever de combater o tráfico de drogas. Mas, nesse caso, estamos falando do usuário que está na condição de vulnerabilidade social e de saúde, que isso sim, requer uma ação multidisciplinar”, explicou ele ao portal.
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Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, uma pessoa que utiliza crack vive, em média, 36 anos a menos do que a população em geral: “Um usuário vive só até 41 anos, ante 77 anos da expectativa de vida da população da cidade do Rio de Janeiro. É uma situação muito grave. Hoje qualquer pessoa consegue acessar o crack a céu aberto”, afirmou. A Secretaria Municipal de Saúde diz que em 2024 foram 800 internações compulsórias e 3 mil involuntárias em 2024 no Rio.