Polícia do Rio atua mais em áreas do tráfico do que em pontos de milícia
Dado costa em levantamento realizado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF e pelo Instituto Fogo Cruzado

Áreas dominadas pelo tráfico estão mais propensas a sofrer com confrontos do que as de milícias. Entre as regiões sob domínio de algum grupo armado no Grande Rio, 85,6% daquelas dominadas pelo tráfico registraram algum conflito. Esse número cai para 61,4% quando se tratam de áreas sob controle das milícias. Os dados costam em pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni-UFF) e do Instituto Fogo Cruzado.
Segundo o levantamento, a Região Metropolitana registra alta frequência de confrontos: são, em média, 17 por dia, 38.271 no período de sete anos. Porém, esses conflitos não afetam toda a região e não acontecem na mesma intensidade em todas as localidades. No período, 65,1% dos bairros registraram algum confronto por território, mas na média, em cada ano, menos da metade dos bairros são afetados por esse tipo de violência — mínima registrada em 2022, 41,5%, e máxima em 2018, 50,9%.
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Do total de tiroteios mapeados em ações e/ou operações policiais, 40,2% deles ocorreram em áreas de tráfico. Quando analisadas as áreas de milícia, esse número é dez vezes menor. Somente 4,3% dos tiroteios com a presença da polícia se deram em áreas de milícia. Segundo o estudo, mais de 70% das localidades dominadas pelas facções do tráfico registraram confronto com a polícia. Em contrapartida, as áreas de milícias registraram 31,6%.
“O domínio territorial por parte de facções do tráfico e a atuação das polícias são dois fatores que deixam os territórios mais expostos a conflitos. Esses conflitos se distribuem de maneira desigual entre áreas de tráfico e de milícias, mas também pela própria região metropolitana. E isso é fundamental para pensarmos a política pública de segurança. Porque os confrontos intensos e regulares são hiper localizados e a participação da polícia nesses casos é decisiva”, disse ao jornal O Globo Daniel Hirata, coordenador do Geni.
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Em nota, a Secretaria de Polícia Militar (SEPM) afirmou que as ações da corporação são pautadas pelo planejamento prévio e que têm como uma das principais metas do atual comando o combate aos grupos criminosos organizados. Já a Secretaria de Polícia Civil (Sepol) informou, por meio de nota, que desconhece a metodologia da pesquisa e que, por isso, não comentará o estudo.