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Nos quatro cantos da cidade, moradores se queixam do barulho gerado por bares

Copacabana, Centro, Tijuca são bairros com maior número de registros do tipo

Por Saulo Pereira Guimarães e Jana Sampaio - Atualizado em 2 jan 2017, 11h47 - Publicado em 9 nov 2015, 18h11

A história é antiga, embora não tenha sido confirmada por gente que viveu a época, como Miele. Irritados com o zumzumzum da boêmia, os moradores dos prédios de uma travessa da rua Duvivier atiravam garrafas nos frequentadores do local. O espaço ficou sendo conhecido como Beco das Garrafas e terminou servindo de berço para a Bossa Nova.  O tempo passou, o Rio cresceu, mas alguns problemas continuam os mesmos. Entre janeiro e setembro de 2015, a Central 1746 da prefeitura recebeu mais de 4 mil reclamações por conta de barulho. Copacabana, Centro, Tijuca, Campo Grande e Botafogo lideram a lista dos bairros mais ruidosos da cidade. Na briga pelo sossego, moradores e donos de bares tentam chegar a um denominador comum.

Armando Paiva

Armando Paiva

Armando Paiva mora em Botafogo e tem dificuldades para dormir durante a semana. Tudo por conta do Cabidinho, um bar na Paulo Barreto que funciona 24 horas por dia e que, por conta da barulheira gerada por seus frequentadores, impede que o fotógrafo viva em paz. Ele confessa que já jogou um ovo nos frequentadores e que pensa até em se trocar de endereço. “Sai mais barato me mudar do que viver nessa guerra sem fim”, desabafa. Do lado de lá do balcão, Silvano Alves se defende. Gerente do Cabidinho, ele afirma que conversa com os clientes sobre o barulho, mas que não tem como controlar quem fica na calçada. Nos últimos anos, medidas como a Lei Antifumo, aprovada em 2009 e que proíbe fumar em lugares fechados, só agravaram o problema do falatório na parte externa dos bares. Com isso, tem se tornado cada vez mais comum ouvir histórias de objetos atirados por moradores furiosos em frequentadores desprevenidos. Em Ipanema, o Canastra Bar já foi alvo de manifestações desse tipo. “Jogaram um petard(fogo de artifício) lá de cima”, relata Vassia Tolstoi, sócio do estabelecimento e tataraneto do escritor russo Leon Tolstoi. Entretanto, ele afirma que a frequência de eventos desse tipo foi maior no verão e que os estresses têm sido menores nos últimos tempos.

Belmonte Leblon

Belmonte Leblon

Resolver o problema não é fácil, mas há quem teste soluções. Um exemplo é o Belmonte do Leblon, que no começo do ano instalou janelas antirruído em apartamentos que ficam perto do bar. Embora tenha solucionado a questão do barulho, a decisão criou um novo imbróglio. Fechar as janelas para esquecer a confusão aumentou o calor e, consequentemente, os gastos com ar condicionado. “É uma gentileza, mas não é solução”, resume Evelyn Rosenzweig, presidente da Associação de Moradores do Leblon (AMALeblon). É importante ressaltar que, na maioria das vezes, os donos de bares se mostram abertos ao diálogo. Um exemplo é Raimundo Ferreira, dono do Alpha, localizado em Botafogo. Ele conta que muita gente reclama com razão e, que por isso, negociar  com a vizinhança é essencial. Entre os moradores, o ódio é frequente, mas outros sentimentos também têm espaço. “Durante a semana, o barulho incomoda, mas é gostoso descer e ter bares bacanas para frequentar”, confessa a fisioterapeuta Patrícia Cunha, vizinha do Brewteco, do Leblon.

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