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Mostra revela como um trio de cronistas via o Rio

Exposição no Arte Sesc, no Flamengo, revela como a cidade era vista de modo distinto por três autores — Mário Lago, Rubem Braga e João Antônio

Por Lula Branco Martins - Atualizado em 2 jun 2017, 12h31 - Publicado em 25 jul 2015, 01h00

Não há registro de que os três tenham se encontrado, nem que fosse uma única vez na vida. Mas havia muito em comum entre eles, a começar pela admiração mútua e pelo fato de o Rio ser o cenário principal em várias de suas crônicas, tanto em jornais como em livros. Mário Lago (1911-2002), mais conhecido por seu trabalho como ator, Rubem Braga (1913-1990) e João Antônio (1937-1996) formam o trio em cartaz na sede do Serviço Social do Comércio (Sesc), apelidada de “palacete cultural”, oficialmente Arte Sesc, no Flamengo. Reuniram-se documentos e objetos pessoais e foram produzidos curtas e vídeos para compor a exposição O Rio de Mário, Rubem e João, que estreou nesta semana e vai até setembro. Há ainda a ambientação de um bar típico dos anos 60, mas decorado com livros e papeladas, como cabe a escritores. O visitante perceberá que a cidade era vista de modo diverso pelos três.

Rubem Braga
Rubem Braga

Enquanto Rubem Braga enxergava o Rio com romantismo, Mário Lago, mais contestador, costumava retratar a boemia com passionalidade, e João Antônio, por sua vez, sempre mostrava o submundo, o underground, nossos personagens marginalizados. Compositor de mão cheia e pouco lembrado como cronista, Lago, comunista histórico, é autor de duas canções conhecidas por qualquer brasileiro: o samba Ai, que Saudades da Amélia (com Ataulfo Alves) e a marchinha Aurora. Era cria da Lapa, frequentava seus bares, mas curiosamente não bebia. Varava noites à base de cafezinho e água mineral. Descrevia-se assim: “Eu nasci inconformado. Sou vocacionalmente rebelde e endocrinologicamente carioca”. Na foto maior, ele está ao lado da esposa, Zeli, com o filho Antônio Henrique no colo, em 1948, na Lagoa. Quem joga frescobol em Ipanema é Rubem Braga, nos anos 60. E, entre livros e revistas, aparece João Antônio, nessa mesma década.

João Antônio
João Antônio
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