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Marielle Franco dará nome a escola municipal no Rio

A vereadora, que era cotada para vice-governadora do Rio nas eleições deste ano, dizia que era preciso trocar a ponta do fuzil pela ponta do lápis

Por Redação VEJA RIO - Atualizado em 15 mar 2018, 15h59 - Publicado em 15 mar 2018, 15h46

Assassinada na noite desta quarta (14), aos 38 anos, em uma emboscada no Estácio – execução é uma das linhas da investigação policial –, a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) dará nome a uma escola municipal em Guaratiba, na Zona Oeste, segundo comunicado do prefeito Marcelo Crivella nesta quinta (15). Segundo a Prefeitura, a escola Marielle Franco está com 70% das obras concluídas e abrigará mais de mil alunos. Em vida, a parlamentar costumava dizer que era preciso trocar a ponta do fuzil pela ponta do lápis.

Na noite passada, Crivella lamentou o “brutal assassinato” e lembrou a “honradez, bravura e espírito público” da vereadora. “É assim que hoje anoitece a cidade desolada e amargurada pela perda de sua filha inesquecível e inigualável. Que Deus a tenha!”, disse. Já o governador Pezão enfatizou a luta de Marielle contra as desigualdades sociais, raciais e a violência: “Acompanho, com as forças federais e integradas de Segurança, a apuração dos fatos para a punição dos autores desse crime hediondo que tanto nos entristece”, afirmou.

Cotada para o governo do estado

Quarta vereadora mais votada nas eleições de 2016 na cidade, Marielle Franco era cotada para concorrer como vice-governadora, em outubro deste ano, na chapa de Tarcísio Motta, pré-candidato ao governo do estado. A parlamentar lutava pelos direitos humanos e contra o racismo e a violência nas favelas. Quatro dias antes de ser assassinada, ela compartilhou uma denúncia contra ação de PMs na Favela do Acari, Zona Norte. Em suas redes sociais, escreveu: “O 41° batalhão é conhecido como Batalhão da Morte. É assim que sempre operou a polícia militar do Rio de Janeiro e agora opera ainda mais forte com a intervenção. CHEGA de esculachar a população. CHEGA de matar nossos jovens.”

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Nascida no Complexo da Maré, Zona Norte, em 27 de julho de 1979, Marielle Francisco da Silva, conhecida como Marielle Franco, se formou  em Ciências Sociais pela PUC-Rio após conseguir bolsa integral e fez mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF) com o tema: “UPP: a redução da favela a três letras”. Seu engajamento na defesa dos direitos humanos foi impulsionado depois que uma amiga próxima morreu vítima de bala perdida, em 2005. Treze anos depois, é a própria Marielle que entra para as estatísticas do crime, possivelmente executada em uma cidade que parece viver fora da lei.

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