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Livro mapeia 700 marcos do processo de urbanização carioca

O Guia da Arquitetura do Rio de Janeiro traz 

Por Renata Magalhães - Atualizado em 2 jun 2017, 12h01 - Publicado em 13 ago 2016, 01h00

Tremendo cartão de visita até hoje, as nossas belezas naturais poderiam até arrancar suspiros já lá nos primórdios, mas convenhamos: aos olhos dos primeiros habitantes desta terra, eram um desafio a ser vencido. A cada conquista sobre o cenário original, a cidade foi (e é) construída. O longo trajeto da história da urbanização carioca é esmiuçado no Guia da Arquitetura do Rio de Janeiro (Editora Bazar do Tempo, 488 págs., R$ 98,00). Empreitada trabalhosa, que consumiu mais de dois anos e exigiu a formação de um conselho de conteúdo integrado por oito arquitetos, sob a coordenação de Maria Helena Salomon, o livro ganhou edições em português e inglês. É prato cheio para profissionais da área, mas também tem atrativos que prometem encantar interessados por história e apaixonados pelo Rio em geral. Suas páginas oferecem um mergulho na paisagem feita pelo homem – da pedra sobre óleo de baleia ao concreto armado – através de mais de 700 verbetes, cerca de 400 fotos em preto e branco, mapas e textos alentados de especialistas, como o arquiteto e urbanista Augusto Ivan de Freitas Pinheiro.

Bairros cariocas foram agrupados em 27 regiões, transformadas nos capítulos principais da obra. Curiosamente, um mundo vasto de estilos arquitetônicos, que assinalam épocas e modos de vida passados, cabe na extensão de apenas 52 quilômetros da Ponte dos Jesuítas, levantada em 1752, em Santa Cruz, à Ladeira da Misericórdia, no Centro, resquício do Morro do Castelo, berço da cidade. Abrangendo o espaço entre esses dois marcos históricos, o livro ensina sobre o feioso, mas único, Terminal Menezes Cortes, o ainda não inaugurado edifício do AquaRio, na renovada Região Portuária, o Palácio Gustavo Capanema, o Theatro Municipal e outras centenas de prédios marcantes (teste seus conhecimentos no quadro ao lado). Para Maria Helena Salomon, o lançamento coincide com um novo momento da cidade, que volta a ter suas áreas comuns ocupadas. “O guia é um convite a esse passeio, para que o leitor perceba por si mesmo os detalhes apontados nos textos”, diz.

Integrante do conselho de conteúdo e autor do ensaio “Arquitetura do Rio de Janeiro: um Percurso Histórico”, Marcos Moraes de Sá chama atenção para outra característica do projeto. “O Guia é vivo, como a cidade, que ganha novas edificações. É importante entender que se trata de um processo contínuo”, afirma. O ritmo frenético das obras realizadas na sede da Olimpíada de 2016 ao longo dos últimos anos fez com que algumas construções mais recentes ficassem de fora do livro. É o caso das edificações do Parque Olímpico e do antigo Hotel Bragança, na Lapa, inaugurado em 1906 e reaberto há um mês como 55/Rio Hotel, com algumas de suas características preservadas. “O ideal, para um município como o Rio, seria atualizar o Guia a cada três anos, mas não sei se eu sobreviveria a isso”, brinca a arquiteta Maria Helena. ■

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