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As crianças piram

Marcadas por efeitos visuais e interatividade, mostras em cartaz na Casa Daros e no CCBB agradam em cheio aos pequenos

Por Rafael Teixeira Atualizado em 5 dez 2016, 13h55 - Publicado em 1 jan 2014, 17h04

Octogenários em plena atividade profissional, o argentino Julio Le Parc e a japonesa Yayoi Kusama figuram no panteão de artistas contemporâneos mais prestigiados pela crítica e valorizados pelos colecionadores. A julgar, no entanto, pelo que se observa nas exposições dedicadas a ambos em cartaz no Rio, os maiores interessados em suas obras não são especialistas nem compradores em potencial, mas, sim, um tipo de espectador inocente: as crianças. Atração na Casa Daros até 23 de fevereiro, Lumière traz 24 criações de Le Parc, a maior parte delas provida de contagiantes efeitos de luz. Em algumas das obras, a iluminação ganha movimento quando se pressiona um botão ? o mesmo mecanismo utilizado para ativar um ventilador que sopra gigantescas tiras de papel na obra Fitas ao Vento (1988). Tal interatividade, que tanto diverte os pequenos, também está presente em Obsessão Infinita, retrospectiva de Yayoi que ocupa o CCBB com cerca de 100 peças até o dia 26. Há objetos instigantes, como globos rosa estampados com bolinhas pretas e resplandecentes instalações onde se pode penetrar. “Além de cultural, o passeio tem de ser divertido, para que isso entre na vida da minha filha como algo bom, e não monótono”, resume a advogada Katlin Guimarães, mãe de Nathalia, 9 anos, que se esbaldou no CCBB.

Embora não haja números que separem os visitantes por faixa etária, administradores da Casa Daros e do CCBB confirmam o afluxo maior de crianças, seja em turmas escolares, seja acompanhadas de parentes. Integrante desse segundo grupo, a pedagoga Juliana Uchôa, mãe de Sofia, 10 anos, esteve com a filha na mostra de Le Parc e ficou encantada. “O criativo jogo de luzes projeta nossa percepção para outra dimensão. Isso se conecta com o universo infantil, que é mais afinado com a imaginação e a fantasia”, diz. Os próprios artistas demonstram consciência do apelo lúdico e, consequentemente, pueril de suas obras. Uma das instalações mais divertidas de Yayoi, Sala da Obliteração (2011) ? um cômodo todo branco, inclusive os móveis, que os visitantes enchem de adesivos de bolinhas coloridas ? é um desdobramento de um trabalho que ela criara nove anos antes de olho nos admiradores mirins. Já o argentino Le Parc se lembra do diálogo que teve com uma família que visitava uma individual sua no Museu de Belas Artes de Caracas. O casal lhe contou que a duras penas conseguira tirar os filhos de casa para ir à exposição. “Já eram 2 da tarde e os adultos queriam sair para almoçar, mas as crianças insistiram para ficar um pouco mais no museu”, lembra. Como se vê, arte também é brincadeira.

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