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Projeto de estreia de Norman Foster no Brasil sedia Casa Cor RJ

Novo edifício na Zona Portuária foi idealizado pelo arquiteto criador da lojas da Apple

Por Saulo Pereira Guimarães 19 ago 2017, 10h00
Selmy Yassuda/Veja Rio/Veja Rio

Pouca gente sabe, mas o nome oficial da Via Binário do Porto é Avenida Oscar Niemeyer. O endereço que homenageia o gênio das linhas curvas também é o palco para a estreia no Brasil de outro craque das pranchetas. Dentro de dois meses será concluída, em um terreno em frente à Cidade do Samba, a primeira das duas torres do Aqwa Corporate, um megaempreendimento comercial arrematado com a assinatura do escritório Foster+Partners, de Norman Foster. O inglês de 82 anos conhecido pelos prédios arrojados é vencedor do Prêmio Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura. Com 21 andares, cinco garagens subterrâneas e formato de diamante, o novo arranha-céu ganhou o apelido de Rubi dos taxistas da região durante os três anos em que esteve em construção. Agora, ele passa pelos últimos ajustes para receber o Casa Cor Rio 2017, que acontece pela primeira vez no Centro e será um dos primeiros eventos a ocupar o espaço.

O conceito básico do projeto é a receptividade. Ela está presente logo na entrada, onde um pequeno parque acrescentará 400 metros de comprimento ao Boulevard Olímpico. Cercada de lojas e restaurantes, uma praça com espelhos-d’água dará as boas-­vindas aos visitantes. Elevadores com iluminação futurista, que lembra as lojas da Apple também assinadas por Foster, levarão ao andar de recepção, onde a paisagem é a atração. O chamado sky lobby, que será aberto ao público, tem paredes transparentes e uma vista de 180 graus da Baía de Guanabara. Os pavimentos não têm colunas e são revestidos de vidros, posicionados de maneira a oferecer a melhor acústica, iluminação e temperatura. “As torres foram pensadas para que as pessoas não consigam ver o que acontece no prédio ao lado, o que garante maior privacidade”, afirma Filomena Russo, representante do Foster+Partners no Brasil. A preocupação com o bem-estar dos futuros ocupantes é tanta que o local contará com um sistema de monitoramento dos níveis de gás carbônico. A promessa é que o controle do CO2 se traduza em trabalhadores menos cansados. Estações capazes de tratar 200 quilos de lixo e 500 000 litros de água por semana garantem o caráter sustentável da construção. “Queríamos um prédio que fosse para pessoas, não para empresas”, resume Ana Carmen Alvarenga, diretora no Rio da Tishman Speyer, companhia que encomendou o projeto do Aqwa, em 2012.

A modernidade foi justamente um dos principais fatores para a escolha do ponto pelos organizadores do Casa Cor Rio 2017, bem como a localização. “Nossa expectativa é que a ida para o Centro represente uma renovação do público”, afirma Patricia Mayer, sócia-diretora da mostra. Segundo ela, a combinação de residências com ambientes de trabalho da Zona Portuária está em sintonia com o uso misto dos espaços, uma das tendências a ser abordadas na exibição. Os visitantes terão a chance de conhecer a cobertura do prédio, onde funcionará um bar com vista para o Pão de Açúcar e o Corcovado, com inauguração marcada para 24 de outubro. É uma estreia que combina com o estilo de Foster, um ex-membro da Força Aérea britânica formado pela universidade americana Yale, em 1962. Sua marca registrada é a utilização de vidro e aço, que lhe rendeu mais de 400 prêmios por projetos ousados (veja abaixo). Com a criação do mestre, a Tishman quer atrair empresas sediadas no Centro, algumas já interessadas no local. O cenário econômico adverso não assusta a companhia, que conta com a história a seu favor. Alguns edifícios icônicos da arquitetura, como o Empire State Building, de Nova York, foram construídos justamente em tempos turbulentos (no caso, a Grande Depressão americana, na década de 30). O que garantiu o sucesso desses empreendimentos foi o caráter atemporal do projeto, uma característica que o Aqwa também carrega.

Reprodução/Veja Rio
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