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Os cuidados necessários para retomar os esportes após a Covid-19

Membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e Esporte, o ortopedista Sérgio Maurício alerta para as possíveis sequelas deixadas pelo vírus

Por Doutor Sérgio Maurício - Atualizado em 20 out 2020, 19h27 - Publicado em 16 out 2020, 07h00

Durante toda a pandemia falou-se bastante sobre a relação entre a prática de exercícios físicos e a melhora da imunidade. No entanto, com a crescente flexibilização da quarentena em diferentes cidades do Brasil, novas questões estão vindo à tona: pacientes que tiveram Covid-19 necessitam de algum cuidado a mais ao retornar às atividades? E quais precauções devem ser tomadas, do ponto de vista ortopédico, para evitar lesões nesse retorno?

Em relação ao sistema cardiovascular, ainda precisamos conhecer mais sobre os danos provocados pelo vírus nas células do coração. Pesquisadores chineses, em recente artigo na revista científica The Lancet, disseram que um a cada cinco pacientes que precisaram de hospitalização tinham evidências de lesão cardíaca.

O mecanismo preciso da necrose das células cardíacas não é claro, e nossa grande preocupação como médicos do esporte é sobre o risco de arritmias no retorno às práticas esportivas, inclusive em pacientes pouco sintomáticos ou até mesmo assintomáticos durante a infecção pelo novo coronavírus.

Diferentes sociedades ao redor do mundo têm se posicionado para que pessoas que tiveram a síndrome realizem ao menos uma avaliação física cardiológica e um eletrocardiograma. Alguns pacientes vão necessitar de check-ups mais complexos, com exames como ecocardiograma ou até mesmo ressonância cardíaca. Vale ressaltar que esse não é um cuidado exclusivo para atletas, e sim para toda e qualquer pessoa que teve Covid-19.

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Do ponto de vista pulmonar prevê-se que a maioria dos atletas com infecção leve a moderada vai se recuperar totalmente, com pouca necessidade de avaliação respiratória aprimorada. Outras pessoas, entretanto, relatam tosse e falta de ar persistentes após a infecção, especialmente durante exercícios vigorosos. Na maior parte dos casos, os sintomas melhoram totalmente dentro de quatro semanas, e a pessoa deve aguardar a recuperação completa para retornar aos esportes.

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Mas, diante da persistência de tosse com catarro, dor no peito ou falta de ar, podemos estar diante de quadros mais sérios, que jamais devem ser negligenciados. Do ponto de vista ortopédico temos de levar em consideração que nossas demandas reduziram muito durante o confinamento, o que diminuiu a resistência de músculos, ossos e tendões e aumentou o risco de lesões na retomada às atividades.

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Um estudo liderado pelo médico brasileiro Bruno Tirotti Saragiotto, publicado na Sports Medicine, mostrou que o principal fator de risco para lesões relacionadas a corrida são as lesões que o paciente apresentou no passado, ressaltando a importância de um trabalho preventivo e individualizado.

Um corredor que já teve tendinite do aquiles, por exemplo, deve realizar exercícios para a panturrilha antes de retomar os treinos. O mesmo é válido para as tão comuns tendinites do ombro antes de jogar tênis ou nadar.

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Remédio melhor que exercício sabemos que não existe, mas é necessário que tenhamos cuidado neste regresso, procurando saber se estamos aptos no que diz respeito às funções cardiorrespiratórias e protegendo nosso sistema musculoesquelético.

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