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Psicóloga sobre a pandemia: “Pais vão sair mais abalados que as crianças”

Elizabeth Carneiro, uma das titulares da coluna Manual de Sobrevivência no Século XXI, participou da série Colunistas Ao Vivo, com VEJA Rio

Por Bruna Motta - Atualizado em 4 set 2020, 13h36 - Publicado em 4 set 2020, 10h41

Elizabeth Carneiro, psicóloga e uma das titulares da coluna Manual de Sobrevivência no Século XXI, de VEJA Rio, participou da série Colunistas Ao Vivo e falou sobre os impactos emocionais que o surgimento do novo coronavírus causou nas pessoas. “Nós, psicólogos, nunca trabalhamos tanto”, contou.

O bate-papo conduzido pela repórter Marcela Capobianco também abordou a relação entre pais e filhos e como reparar sinais de que crianças e adolescentes estão precisando de ajuda psicológica.

No fim da conversa, realizada no perfil do Instagram de Veja Rio, a psicóloga indicou um livro que pode ajudar a lidar melhor com as consequências da pandemia. Abaixo, alguns destaques:

Psicologia on-line

Por incrível que pareça, hoje é melhor atender on-line do que presencialmente. A máscara esconde as expressões e a tela viabiliza a troca. Como eu sou diretora de uma clínica para dependentes químicos, não trabalho 100% do tempo em casa, eu não podia ficar longe do front de guerra. Foi um grande desafio.

Impactos do isolamento

O distanciamento agravou casos pré-existentes de depressão. Muita gente também começou a adoecer neste período. Temos outros fatores que incidem diretamente, como a crise econômica, uma liderança que nos deixa perdidos… Mas hoje sabemos que a felicidade está muito associada à conexão afetiva humana, que é do que mais estamos sendo privados na pandemia. É doloroso para o ser humano. Ir ao mercado, à padaria, conversar com o porteiro já é se relacionar… E isso faz uma falta tremenda. Os mais reservados podiam escolher se relacionar ou não, agora nem mesmo existe a opção. Os psicólogos nunca trabalharam tanto. Os relacionamentos são uma necessidade humana. Sem isso, entramos num modo de guerra. Quando temos muito tempo para pensar, podemos acabar num caminho paranoico.

Sanidade mental x quarentena

A medicina nunca viveu essa pandemia, ela mesma nos traz insegurança. A gente precisa buscar a medida da sobrevivência. Os impactos da quarentena são individuais. Não tenho dúvidas de que, para sair, é necessário usar máscara, álcool em gel e tomar todos os cuidados. Tem gente que precisa voltar às ruas aos poucos, ao passo que outras pessoas vão preferir manter o confinamento. Os casos que preocupam são os das pessoas que estão vivendo em negação, ignorando o vírus.

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Bel para meninas

Essa mãe abusava e fazia bullying com a filha dentro de casa, para ganhar cada vez mais seguidores nas redes sociais. É bem comum os pais descontarem nos filhos e as suas frustrações. Neste caso, vemos expressões sutis da sociedade: para se qualificar, a mãe desqualificou a filha e a colocava em situações constrangedoras e até desumanas, como comer um pedaço de sabonete. O desejo de todo filho é agradar os pais, não faz parte do código inicial da vida desagradar os progenitores. A relação entre pais e filhos é a primeira experiência de amor que nós temos.

Exposição de casos de assédio em colégios

Foi um movimento muito forte. Como a ação foi feita contando histórias de assédio não só por parte dos professores, mas também de colegas de turma, isso causou uma certa confusão. Até no artigo que escrevi para VEJA Rio, tentei diferenciar esses dois grupos, porque são coisas muito diferentes. A voz das meninas para denunciar o assédio de professores é um marco. As escolas tinham como protocolo colocar o assunto para debaixo do tapete. De alguma forma, as escolas achavam que se os casos viessem à tona, evidenciariam o problema, sendo que a solução é mostrar a transparência ao lidar com esse problema. Assim, os alunos se sentem protegidos.

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Adolescente – não é uma fase

Nessa idade, os comportamentos instáveis são naturais, mas os pais têm que prestar atenção e saber quando as ações dos filhos saem “da curva”. Sinais de ansiedade, isolamento, irritabilidade, segredos, meninas que usam roupas muito largas para esconder possíveis mutilaçoes no corpo… Então existem alterações que chamam a atenção. Temos de esquecer o “É só uma fase”.

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Pais e filhos na pandemia

Os pais estão vivendo uma angústia muito grande, com pena das crianças e jovens no isolamento, ‘perdendo meses de vida normal’. As crianças e os adolescentes têm muito mais chance de lidar melhor com isso porque os adultos têm vários vícios de comportamento. A dimensão do que estamos vivendo é muito diferente para o adulto, porque ainda tem a questão econômica envolvida. Acredito que os adultos vão sair mais traumatizados até por uma menor capacidade adaptativa que os filhos.

Ansiedade X Covid-19

A falta de ar que eu vou sentir na Covid-19 ou na asma não me incapacita no meu emocional. O transtorno ansioso muitas vezes nos incapacita, ficamos sem conseguir produzir. O critério precisa ser o quanto aquilo está afetando suas atividades cotidianas, suas relações pessoais. Ansioso todo mundo está, o medo gera ansiedade e estamos vivendo com esse sentimento. Se o medo te paralisa, é o momento de procurar ajuda psicológica.

+Daniela Alvarenga: ‘Para a pele, disciplina vale mais que produto caro’ 

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A psicóloga Elizabeth Carneiro (@elizabethbubacarneiro), colunista no Manual de Sobrevivência do Século XXI, participou da live Colunistas Ao Vivo e falou sobre a importância das pessoas buscarem conexões, mesmo que por vídeo, em tempos de isolamento. “A solidão é um veneno”, disse a psicóloga Ela também esclareceu como uma pessoa pode perceber que precisa de ajuda psicológica. Confira!

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