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Máscaras de pano ganham versões criadas por estilistas cariocas

Além de confeccionarem, eles ainda fazem campanha pelo uso do acessório, que protege outra pessoa da infecção pelo novo coronavírus

Por Bruna Motta - Atualizado em 22 Maio 2020, 19h10 - Publicado em 1 Maio 2020, 08h00

Virou lei. A prefeitura do Rio tornou obrigatório o uso de máscara de proteção nas ruas, em estabelecimentos comerciais abertos ao público e nos meios de transporte. Praias, lagoas e praças, todas estão na lista de lugares onde o carioca deve transitar com boca e nariz bem cobertos. A medida logo despertou a atenção de estilistas e marcas, que, nestes tempos bicudos, aproveitaram o ensejo para investir naquilo que fazem de melhor: inventar moda. Seguindo as recomendações dos agentes de saúde, várias grifes desenvolveram modelos usando restos de tecidos de coleções passadas para dar colorido novo ao acessório do momento. “De início, começamos a fazer para a equipe e os amigos, já que o item estava escasso nas farmácias. Mas a demanda foi tão grande que o colocamos em linha”, conta Thomas Azulay, da The Paradise, cujos modelos saem a 30 reais.

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Diante de shoppings fechados e clientes quarentenados, a iniciativa foi acompanhada rapidamente por gente que precisa criar saídas para sobreviver em meio à crise. Dona de uma empresa de festas infantis e estilista de formação, Gabi Duarte, 50 anos, transformou a própria sala de casa em ateliê, com a ajuda da mãe. Nas duas primeiras semanas, quando o uso da máscara ainda não era compulsório, elas vendiam uma média de 100 unidades por dia, a 10 reais cada uma. Agora chegam a receber 1 000 pedidos diariamente. “Nossa vida começa às 6 da manhã e vamos dormir depois das 11 da noite, só produzindo o acessório”, relata Gabi, orgulhosa da clientela. Ela afirma que já viu Boninho (no dia da live com Roberto Carlos) com o rosto coberto com máscaras saídas do ateliê.

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Não é só a possibilidade de desbravar um novo nicho neste momento de penúria para o comércio que motiva os empreendedores – eles também aproveitam para fincar os pés, pela moda, na corrente de combate à Covid-19. A máscara, afinal, virou, além de apetrecho essencial na proteção contra o vírus, um símbolo destes tempos. Estilistas, artistas e produtores lançaram a campanha virtual #todxsdemascara, incentivando as pessoas a usar o acessório e a registrar fotos com a face tapada nas redes sociais. “Se podemos explorar nossa vocação para ajudar, por que não?”, diz Isabela Capeto, um dos nomes à frente da ideia, junto com o stylist Felipe Veloso. O movimento de solidariedade no setor da moda carioca envolve ainda as marcas, a exemplo de Farm, Reserva, Armadillo, Lenny Niemeyer, Andrea Marques e Julia Golldenzon, que estão distribuindo máscaras confeccionadas em suas fábricas a hospitais, comunidades e projetos sociais do Rio.

Felipe Veloso, stylist, e Isabela Capeto, estilista: campanha nas redes Bernardo Bonilauri/Reprodução

Fora do Brasil, grifes como Gucci, Prada e Chanel também abraçaram o acessório da vez e passaram a fazer doações, com o objetivo de amenizar a escassez do item. E já há de tudo um pouco no mercado, que tenta pôr doses de criatividade no paninho, normalmente afixado ao rosto por elásticos. Com sede em Seattle, a marca futurista Lumen Couture criou uma máscara dotada de painel de LED. Controlado por meio de aplicativo, ele pode exibir uma imagem, um símbolo piscante ou uma mensagem para que os outros se afastem. Os dispositivos eletrônicos são removíveis, para permitir a lavagem do tecido, e a bateria dura de três a quatro horas. Custa em torno de 500 reais, mas a grife promete doar 60% do valor das vendas à OMS. “Em momentos de restrição, a criatividade aflora. É o instinto de sobrevivência”, avalia a jornalista de moda Lilian Pacce.

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Segundo Tânia Vergara, presidente da Sociedade de Infectologia do Rio, a função das máscaras é formar uma barreira de proteção. “Quando falamos ou espirramos, soltamos grande quantidade de gotículas, que podem infeccionar outra pessoa”, explica. Há fortes evidências científicas de que o acessório também é útil no caminho inverso – o de diminuir o risco de ser infectado por alguém. No Rio, aqueles que estiverem sem máscara poderão ser impedidos de embarcar em transportes públicos ou entrar em estabelecimentos comerciais. A moda se encarregou de dar ao decreto uma dose de leveza e beleza.

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Máscaras: versões assinadas por estilistas Divulgação/Veja Rio

Faça você mesmo:

O que é preciso saber antes de confeccionar a própria máscara

› Ela é individual e não pode ser dividida com ninguém — nem com filhos nem com o cônjuge

› Deve ser usada por no máximo duas horas. Depois, é preciso trocá-la por outra

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› Sempre saia de casa com uma de reserva. Por isso o ideal é ter pelo menos duas

› Para que ela sirva efetivamente como barreira física, duas camadas de pano são necessárias

› Elásticos e tiras vão ajudar a dar a sustentação adequada do acessório no rosto

› Lave a máscara com água sanitária assim que chegar em casa, deixando-a de molho por dez minutos

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