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Conheça a Allegra, o berçário das cervejas cariocas

Rótulos artesanais que vêm conquistando os cariocas ganham produção profissional na única cervejaria instalada na cidade

Por Rafael Cavalieri
Atualizado em 2 jun 2017, 12h45 - Publicado em 13 fev 2015, 16h16
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    A ideia, em geral, surge depois de algumas garrafas já devidamente esvaziadas. Aí alguém, na empolgação, pensando em aproveitar o bom momento do mercado cervejeiro, resolve inventar um rótulo artesanal próprio. Após as primeiras experiências com panelas na cozinha de casa, certas empreitadas caem no gosto dos bebedores e se transformam em um negócio promissor. E aí entra a Allegra, cervejaria adotada como o berçário de marcas nascidas no Rio, a exemplo de 3Cariocas, Jeffrey, Hocus Pocus, Three Monkeys e 2Cabeças. 

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    Única do gênero na cidade, a fábrica em Jacarepaguá é o destino mais próximo dos cervejeiros cariocas, dedicados a chope ou cerveja, a caminho da profissionalização. Na última edição do festival Mondial de la Bière realizada no Rio, em novembro, a session IPA NEMA, receita da 3Cariocas, dividiu o prêmio máximo, a medalha de platina, com uma criação da curitibana Bodebrown. O reconhecimento em um evento de prestígio é mais um passo na evolução da marca, que recorreu à Allegra para elevar de 50 para 1 250 litros a sua produção mensal. “A localização da fábrica nos permite acompanhar todos os passos do preparo e minimiza custos de transporte. Temos uma relação quase pessoal”, conta João Gabriel Reis, um dos sócios da 3Cariocas, que usa as instalações na Zona Oeste desde outubro. Seguindo o mesmo caminho, chegaram mais recentemente a Irada, vendida nas areias do Leblon — que tem o ator Malvino Salvador como um dos sócios —, a Búzios e a Hopium, além de chopes fornecidos aos bares Colarinho, Escondido e The Boua. Uma marca própria também é fabricada por lá.

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    Em 1999, o engenheiro e mestre-cervejeiro André Nothaft deixou o cargo de gerente de pesquisa e desenvolvimento da Brahma para abrir a fábrica, então batizada de BrewTech. Naquela época eram raras as conversas sobre a quantidade de lúpulo utilizada em uma india pale ale ou as notas de café e chocolate de uma imperial stout. Vivia-se o domínio da pilsen quando a cervejaria começou a produzir a Devassa, um dos primeiros rótulos a provocar uma nova relação entre o carioca e sua bebida favorita. Dez anos depois, André passou a empresa adiante e foi trabalhar no grupo anglo­-sul-africano SABMiller. Com novo nome, Allegra, e novos administradores, a microcervejaria aumentou a aposta nas artesanais. “Quanto mais gente resolver produzir em casa, mais futuros parceiros poderemos ter. E esse é um mercado que só cresce”, diz Arturo Kobatta, gerente comercial da fábrica. 

    Cerveja
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    Os candidatos a um lugar na linha de montagem apresentam seus projetos em uma primeira reunião. Em seguida, a receita é submetida a Maurício Machado, mestre-cervejeiro e um dos dez funcionários da Allegra. É a hora de promover pequenos e necessários ajustes, já que uma coisa é o preparo caseiro, em panelas, e outra bem diferente é ocupar um tanque de 1 500 litros, quantidade mínima para a fabricação. Ingredientes básicos como água e malte são fornecidos. Lúpulos especiais, leveduras, frutas, especiarias e ervas que ajudem a moldar o estilo da cerveja são trazidos pelos donos do rótulo.

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    Em pleno funcionamento, a Allegra tem capacidade para levar ao mercado 60 000 litros por mês. Para efeito de comparação, a fábrica da Therezópolis Gold, uma puro malte que segue a cartilha das artesanais, atinge 1 milhão de litros mensais. São projetos para breve em Jacarepaguá a criação de um bar e a compra de novos tanques, para aumentar a produção. Por enquanto, uma coisa é certa: outras cervejas virão.

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