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Cauã Reymond consagra virada da carreira em Justiça

Aos 36 anos, Cauã ganhou o prêmio na categoria Ator

Por Daniela Pessoa - 10 dez 2016, 00h00

Filho de uma astróloga, Cauã Reymond demorou para crer nas previsões que a mãe anteviu em seu mapa astral. Segundo ele, foram necessários exatos 28 anos para acreditar no vaticínio de que se tornaria um grande ator. Faixa preta no jiu-jítsu, chegou a ser campeão brasileiro na modalidade, virou modelo, fotografou com Gisele Bündchen e, em 2001, foi viver em Nova York. Lá, teve aulas de atuação no Black Nexxus, estúdio por onde já passaram nomes como Tom Cruise e Nicole Kidman. Só então iniciou a carreira de jovem promessa da TV Globo, ao percorrer o circuito Malhação, novelas das 6 e das 7 e papéis secundários às 9. Despontou finalmente como protagonista no horário nobre em Avenida Brasil. Por influência dos astros ou não, a novela foi um estrondoso sucesso. Ainda assim, o ator que viveu o jogador Jorginho teria de provar que seus méritos não eram apenas decorrência da combinação rosto bonito e corpo saradão.

A virada dos 30 anos costuma ser um ponto de inflexão na carreira de um ator. É nessa etapa que a exuberância juvenil dá lugar à maturidade profissional, por meio de personagens mais complexos e densos. Aos 36 anos, pai de Sofia, 4 anos, Cauã encontra‑se nesse momento. Depois de surpreender em produções como O Caçador (2014) e Amores Roubados (2014), ele tem se arriscado em desafios de maior fôlego. Seguem tal linha o ex-presidiário Juliano de A Regra do Jogo e o marido que mata a esposa por eutanásia em Justiça. Em uma jogada mais radical ainda, aventurou-se em ousadias como o videoclipe da música Your Armies, da cantora Barbara Ohana, em que interpreta um transexual — só para aprender a andar de salto alto diz ter levado um mês. “Ser galã não me incomoda, mas seria um vazio muito grande se eu me mantivesse nesse lugar. Hoje, por exemplo, eu já digo aos diretores que não tiro mais a camisa em cena”, diverte-se.

Assertivo e persistente, Cauã não tem vergonha de interpelar os diretores e produtores com quem quer trabalhar e insistir até ser aceito na equipe deles. Foi assim que agiu com relação ao diretor Luiz Fernando Carvalho (veja a reportagem na página 30). Durante anos, abordou seu assistente com o objetivo de fazer chegar até ele o desejo de fazer parte do elenco de uma de suas séries ou novelas. “Ele é autoritário, e eu gosto disso. Funciono melhor sob pressão”, confessa o ator, que faz terapia desde os 14 anos e sabe muito bem o que quer. O resultado da primeira (e tão sonhada) parceria da dupla poderá ser conferido em janeiro, na série Dois Irmãos, adaptação do premiado livro de Milton Hatoum. “Eu já tinha lido a obra e sabia que era capaz de dar vida ao que estava ali. Acho que nunca me entreguei tanto a um trabalho”, revela o astro, que encarnará os gêmeos Yaqub e Omar. Se depender da paixão que Cauã demonstra pela empreitada, o futuro que sua mãe enxergou no céu parece finalmente ter chegado.

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