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Carioca Nota 10: Charles Siqueira

O dançarino e filósofo Charles Siqueira coordenou intervenções urbanas e criou programas de capacitação profissional no Morro dos Prazeres

Por Bruna Talarico Atualizado em 5 dez 2016, 13h55 - Publicado em 1 jan 2014, 18h00

Com apenas 25 anos, o pernambucano Charles Siqueira já havia conquistado um confortável cargo de gerência no Banco do Brasil, em São Paulo, e não tinha razões para interromper uma carreira que lhe garantiria estabilidade profissional e financeira. Bastou uma viagem ao Rio, em 2004, para mudar de opinião. Ao conhecer o Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, ficou impressionado com a miséria em que viviam os moradores da favela, que também eram ameaçados pelo tráfico. O bancário decidiu então deixar o emprego, mudar-se para o Rio e montar um programa que beneficiasse os jovens do morro e os afastasse do banditismo. A primeira opção foi a dança, mais especificamente o break, escolhido por seu estilo vigoroso e ágil, que talvez agradasse à meninada do local. A empreitada não deu lá muito certo. “Percebi que na favela os resultados têm de ser muito práticos e bem visíveis. É assim que a transformação acontece”, explica.

“Em uma favela os resultados precisam ser práticos e visíveis. É assim que as mudanças acontecem”

Pragmático, Siqueira partiu para duas outras iniciativas, em partes distintas da favela. A primeira, no lado oeste, foi o Caminho do Grafite, um paredão pintado por artistas que residem em Santa Teresa com a participação de outros moradores. A segunda, no leste, foi o Jardim dos Prazeres, a transformação de um antigo lixão em área verde com vista para o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor. “É o que eu chamo de pedagogia do metrô: o lugar limpo se mantém limpo. Mas nada disso teria sido feito sem o engajamento de quem vive aqui”, explica. Em uma segunda etapa, criou um programa para capacitar mão de obra no local batizado como ING (sigla para Indivíduos Não Go­vernamentais). “Nunca quis que me vissem como alguém de classe média querendo se beneficiar da pobreza, por isso não gostava do conceito de ONG. Com os ING, consegui articular pessoas de diferentes áreas de atuação para que treinassem os habitantes da favela”, lembra. Hoje, os esforços rendem frutos: vários dos jovens com os quais começou a trabalhar assim que chegou ao morro se formam em faculdades e já tiveram trabalhos reconhecidos no exterior.

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