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A bohemia em quadrinhos

Com foco na Lapa dos anos 50, HQ inspirada em bambas como Geraldo Pereira e Ismael Silva retrata um Rio boêmio e, de certa forma, trágico

Por Lula Branco Martins Atualizado em 2 jun 2017, 13h00 - Publicado em 17 set 2014, 17h18

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O narrador acorda de ressaca e constata que a pia do banheiro está com um pin­ga-pinga recorrente. Não liga muito. Nem deu meio-dia e já pensa em beber uma cervejinha. Ele guarda semelhanças, a começar pelo bigodinho, com Geraldo Pereira, autor de Falsa Baiana e Acertei no Milhar, expoente do samba sincopado, um mineiro-carioca que morou na Mangueira, amigo de bambas como Cartola. O personagem conduz a trama de Aconteceu na Lapa, novela em quadrinhos do jornalista Luís Pimentel em parceria com o chargista Amorim. O livro, da Editora Myrrha, será lançado no próximo sábado (20), na Livraria Folha Seca, no Centro. Tem como foco a boemia carioca dos anos 50 e revisita a trajetória de Pereira principalmente, mas também de compositores como Ismael Silva e Assis Valente. Bares e cabarés da época são retratados em minúcias, no traço em preto e branco de Amorim, e boa parte dos diálogos (em balõezinhos típicos das HQs) vem de trechos de sambas conhecidos, como O Bonde São Januário e Acabou a Sopa. Outra figura do Rio de outrora que aparece na história é João Francisco dos Santos, conhecido como Madame Satã, transformista, figura emblemática da vida noturna da cidade. Prepare-se para fortes emoções: algo trágica, a novela tem como símbolo uma navalha.

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