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Baía de Guanabara vira terra sem lei no bangue-bangue carioca

Responsabilidade sobre área é objeto de jogo de empurra entre autoridades

Por Redação VEJA RIO - Atualizado em 13 jun 2018, 14h39 - Publicado em 13 jun 2018, 14h38

Ponte Rio-Niterói

Houve um tempo em que a única semelhança entre a Baía de Guanabara e os filmes de faroeste era a presença de índios em algum momento da história. Entretanto, mais recentemente, o clima de terra sem lei passou a ser outra triste coincidência entre os dois cenários em questão. Após apreensão de seis fuzis em um barco na última semana, uma reportagem publicada hoje (13) pelo jornal O Globo revelou um jogo de empurra entre autoridades quando o assunto é a segurança no litoral carioca em que o principal vencedor tem sido o crime organizado.

Responsável por conter a violência no estado do Rio desde fevereiro, o Gabinete da Intervenção Federal informou que patrulhar as águas da baía é responsabilidade da Marinha. Procurada, a instituição afirmou que cuida apenas do tráfego aquaviário na Guanabara e que o monitoramento da região ficaria a cargo dos órgãos de segurança pública. Entretanto, a Polícia Federal diz que dividir essa atribuição com a Marinha e a Polícia Militar, que o Grupamento Aeromóvel deixou de combater o vai-e-vem de bandidos no litoral carioca em 2012. Ou seja, atualmente, nenhum órgão público se dedica à proteção da árrea de 380 quilômetros quadrados.

Enquanto os xerifes – quer dizer, autoridades – batem cabeça, os bandoleiros fazem a festa. Alvo da apreensão da última sexta (08), a traineira abordada pelos policiais havia saído da Vila dos Pinheiros, na zona norte, pelo Canal do Cunha, passado pela baía e chegado à Praia Vermelha sem ser interceptada por ninguém. Sua existência só foi descoberta graças às investigações da 27ª DP (Vicente de Carvalho) que, sem barcos, teve de pedir um veículo emprestado em um cais de Niterói para a operação.

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De acordo com o promotor Alexander Araújo, as rodovias ainda são a principal porta de entrada de armas e drogas na cidade. Mas, cada vez mais, a baía tem se revelado uma alternativa atraente para o transporte de fuzis, que acontece de madrugada e exige maior atenção. “A baía tem localização estratégica para a redistribuição das armas e drogas pela proximidade com o porto, aeroporto e a Linha Vermelha”, explica Alexander.

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