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É preciso ficar ligado

Valendo-se da distração das pessoas, ladrões fazem do roubo de celular um crime em alta na cidade

Por Louise Peres Atualizado em 2 jun 2017, 13h18 - Publicado em 20 nov 2013, 17h21

Mesmo quem nunca passou pela situação consegue imaginar a desagradável sensação de ter o celular roubado. Além da perda de um patrimônio muitas vezes comprado com sacrifício, com ele vão embora também fotografias, agenda de contatos e toda sorte de informações preciosas guardadas no aparelho. Por mais que existam dispositivos para fazer backup, costuma ser um transtorno recuperar todos os dados. Pois o número de cariocas vítimas desse tipo de crime cresceu de forma acentuada no último ano. De acordo com levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), o número de telefones móveis roubados no Rio em agosto aumentou 44% em relação ao mesmo mês do ano passado. As áreas do Centro e da Barra concentraram a maior quantidade de registros. Uma conjunção de fatores está por trás do crescimento desse delito. Entre eles, destaca-se a explosão de vendas de smartphones no país, que pela primeira vez ultrapassaram as de modelos convencionais. Entre abril e junho, esses modernos aparelhos corresponderam a mais da metade dos celulares comercializados no Brasil, segundo a IDC Consultoria. Como se trata de um acessório no qual é possível ter acesso permanente à internet ou trocar mensagens em tempo real, o smartphone tende a deixar seu proprietário dispersivo, do que se aproveitam os larápios para agir. “Por ser um aparelho muito interativo, as pessoas se distraem facilmente e ficam vulneráveis”, afirma o coronel Cláudio Costa, relações-públicas da Polícia Militar fluminense.

A desatenção foi fatal para o ator Christian Villegas. Há três semanas, ao parar seu carro em um sinal de trânsito no centro da cidade, ele aproveitou para checar as mensagens. Foi quando um ladrão se aproveitou da janela entreaberta para arrancar de sua mão o aparelho. “Foi tão rápido que fiquei sem ação”, lembra a vítima. O episódio vivido por ele foi menos traumático que o de sua namorada, a também atriz Thati Lopes. Ela chegava para um ensaio no Teatro Ariano Suassuna, na Barra, quando foi interceptada por dois jovens. Um deles puxou o celular das mãos dela, que tentou resistir ao ataque e recebeu um soco no olho. Ainda meio tonta com a pancada, Thati perseguiu os bandidos, que atravessaram em disparada a Avenida das Américas e desapareceram. Para evitar novas investidas bem-sucedidas dos marginais, ela adotou preventivamente a tática do despiste. Passou a andar sempre com um celular de menor valor no bolso, para o caso de surgir algum ladrão. “Não quero perder outro aparelho caro”, diz.

Imagens reprodução
Imagens reprodução

A preocupação de Thati é compreensível. Além de todo o desgaste psicológico, quem tem o celular roubado amarga também um grande prejuízo. Smartphones são um bem valioso, com alta liquidez no mercado negro (seja em troca de drogas, seja em dinheiro vivo). Nas lojas, os modelos mais visados, o iPhone, da Apple, e a linha Galaxy, da Samsung, custam no mínimo 1?500 reais, cifra que pode chegar a 2?500 reais no caso dos últimos lançamentos. Para amenizar a dor no bolso, os consumidores cariocas vêm contratando seguro para seus aparelhos. Oferecido pelas operadoras de telefonia, em geral é terceirizado e custa entre 10% e 15% do valor do aparelho, com franquia variável. Só no primeiro trimestre deste ano, a Tim registrou aumento de mais de 500% na contratação do serviço. “Graças ao seguro pude reaver boa parte do dinheiro que investi no meu celular, que tinha apenas um mês de uso quando foi roubado”, conta a administradora de empresas Hellen Spitz, abordada por cinco larápios em um ponto de ônibus na Avenida Graça Aranha, no Centro, por volta das 18 horas de um dia de semana. “Eles certamente estavam me observando, pois já chegaram pedindo o iPhone.”

Enquanto o carioca se preserva como pode, medidas mais eficazes para a proteção dos usuários viraram tema de discussão nos Estados Unidos, onde o roubo de smartphones também cresceu exponencialmente. Em 2012, segundo a revista Time, 1,6 milhão de americanos foram surrupiados, sendo que em Nova York o aumento foi de 40%. Na tentativa de coibir o delito e dificultar a ação dos criminosos, a Justiça intimou as principais empresas do mercado ? Apple, Google, Samsung e Microsoft ? a desenvolver mecanismos para agilizar o bloqueio e complicar a venda clandestina dos aparelhos. Alguns dos aplicativos criados já estão disponíveis por aqui (veja o quadro). Por se tratar de um bem valioso, tanto pelo preço como pelas informações que armazena, toda precaução é bem-vinda.

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