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Advogado cria ONG para ajudar famílias de Jardim Gramacho

Associação Civil Corrente pelo Bem dedica-se a ajudar famílias que vivem no entorno do antigo aterro sanitário em Duque de Caxias

Por Heloiza Gomes 8 jun 2018, 08h30

 

Desde pequeno, o advogado Rodrigo Freire, 41 anos, participa de ações sociais. Começou junto com a mãe, a promoter Vera Freire, e depois seguiu por conta própria até criar seu projeto, em 2010: a Associação Civil Corrente pelo Bem dedica-se a ajudar famílias que vivem no entorno do antigo aterro sanitário de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias. A ideia surgiu após ter visitado o local pela primeira vez. “Fui até lá com 200 brinquedos para distribuir, mas os adultos me cobraram comida. Falei que voltaria no mês seguinte. Pedi doações pelo Facebook e cumpri a promessa”, recorda. “Eles são abandonados, carentes de tudo. Só para se ter uma ideia, uma senhora ficou dois meses comendo ratazana assada e uma outra só tinha feijão, que cozinhava sobre dois tijolos. Ainda assim, eles têm muito amor para dar. Você chega lá, eles podem estar morrendo de fome, mas oferecem a comida, pedem um abraço.” Hoje a entidade tem 200 voluntários, atende quinhentas famílias e já distribuiu mais de 60 toneladas de alimentos, além de roupas e eletrodomésticos.

“O pessoal me liga e eu ajudo na medida do possível. Não tenho vergonha de pedir, então faço bazar beneficente, vaquinha on-line e disparo mensagens para todo mundo, restaurantes, padarias, artistas… Só não quero vínculo com político”, avisa Freire. Mesmo sem patrocínio, o projeto caminha a passos largos. Na lista das conquistas mais celebradas estão a cirurgia que devolveu a visão a um morador e o mutirão da saúde, projeto que leva médicos, veterinários e dentistas para atendimento local. Outro bom exemplo: no dia 26 de maio, quando foi realizada a ação do Dia das Mães, a entidade inaugurou o Espaço Comunitário Infantil da Favelinha, que oferecerá biblioteca, videoteca e brinquedoteca, além de fornecer duas refeições diárias. “Lá, serão atendidas cerca de oitenta crianças, de 2 a 14 anos. O espaço funcionará como uma espécie de creche, para tirá-las das ruas. O pessoal fica o dia inteiro sem fazer nada, mexendo em lixo, nem escola tem por perto”, conta o advogado, que também espera construir a sede da ONG ainda neste ano — reativando a antiga parceria em família. “Minha mãe doou um terreno em Vargem Grande, e vamos oferecer vários cursos gratuitos lá”, adianta.

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