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Advogada criou instituto para ajudar jovens em hospitais públicos

Em parceria com grifes, hamburguerias, bares, cinemas e até fundos de investimento, Renata Cordeiro Guerra arrecada porcentagem do gasto para a iniciativa

Por Sofia Cerqueira - 15 jul 2017, 09h00
Renata Cordeiro Guerra Felipe Fittipaldi/Veja Rio

A advogada Renata Cordeiro Guerra, de 43 anos, está envolvida em uma missão: provar que a falta de tempo ou de dinheiro não é empecilho para colaborar com uma boa causa. À frente do Instituto Todos com Felipe, que ela criou em 2014, após a morte de seu filho, vítima de um câncer no cérebro, adotou uma forma diferente de envolver o maior número de pessoas em projetos para amenizar o sofrimento de crianças e adolescentes atendidos na rede pública de saúde. Em vez de promover campanhas de doação, como fez incansavelmente nos primeiros anos da iniciativa, ela agora se dedica a uma nova frente, focada em parcerias com grifes da moda, restaurantes, bares, hamburguerias, redes de cinema e até fundos de investimento. A ideia é simples, mas tem um alcance poderoso: cada vez que uma pessoa consome um produto ou utiliza o serviço das empresas parceiras, uma porcentagem do gasto vai para o instituto. “Várias companhias estão preocupadas com a questão da responsabilidade social, mas não sabem como se engajar. Do outro lado, muita gente quer contribuir, mas deixa sempre para depois”, diz a empreendedora, cujo filho morreu aos 13 anos, nove dos quais lutando contra o tumor maligno. Renata ainda é mãe de Carolina, de 10 anos. “Tenho uma visão diferente do assistencialismo tradicional. Em vez de doações pontuais, é muito mais eficaz criar mecanismos com os quais as pessoas possam ajudar sem sair do seu dia a dia.”

“É muito mais eficaz criar mecanismos com os quais as pessoas possam ajudar sem sair do seu dia a dia”

Junto com as novas colaboradoras, Renata idealizou um espetáculo que une música popular de alta qualidade com a chance de melhorar a vida de crianças com doenças graves. O Festival Harmonia, que acontece na quinta (20) no Theatro Municipal, quando subirão ao palco Lenine, Roberta Sá e grandes instrumentistas, terá sua renda integral revertida para o instituto. Mais duas edições estão agendadas para este ano, no mesmo palco. “Não se trata de uma festa beneficente, mas sim de um evento que segue o conceito das parcerias com lojas e serviços”, explica. Com a verba arrecadada, a advogada planeja reformar a ala pediátrica de reabilitação da ABBR, na Lagoa, e criar um centro oftalmológico pediátrico no Hospital da Gamboa. Desde que transformou sua dor em uma bandeira do bem, ela, com campanhas que envolvem uma rede de amigos e empresas, já auxiliou mais de 80 000 jovens. “Meu filho acabou me mostrando um mundo novo. Vivo 24 horas pensando em iniciativas para ajudar outras crianças como ele.

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