Feriado de São Sebastião: 10 curiosidades sobre o dia 20 de janeiro no Rio
Padroeiro da cidade foi um mártir católico condenado a ser atingido por flechas; no Brasil, ele é sincretizado com o orixá Oxóssi, que tem a flecha como símbolo

Padroeiro da cidade, que na sua fundação pelos portugueses tinha o santo no nome, São Sebastião é considerado o protetor da humanidade contra a peste, a fome e a guerra. O dia em que é celebrado, 20 de janeiro, marca a sua trágica morte, por volta de 288 d.C.
A data tem uma série de coincidências com a própria história do Rio de Janeiro, onde o mártir católico foi sincretizado com o orixá Oxóssi. Veja abaixo dez curiosidades sobre o feriado.
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1) Fundado em 1º de março de 1565, o Rio foi batizado pelos portugueses de São Sebastião do Rio de Janeiro. O nome era uma homenagem ao rei-menino Sebastião de Portugal e Algarves, que na época tinha 11 anos, e a seu padroeiro. Quem mandou levantar a cidade foi a rainha viúva D. Catarina d’Áustria, avó do rei. Já o nome Rio de Janeiro deve-se a um engano: quando chegaram pela primeira vez à entrada da Baía de Guanabara, em janeiro de 1502, os colonizadores portugueses pensaram que se tratava da foz de um rio.
2) São Sebastião nasceu em Narbonne, na França, mas foi criado em Milão, na Itália, por volta do século III. Foi um soldado do exército do imperador Diocleciano e diz-se que era um de seus preferidos. Porém, ao descobrir que ele pregava para os cristãos presos e os consolava, o rei o considerou um traidor e ordenou que ele fosse amarrado a um tronco e morto a flechadas. O santo sobreviveu e foi confrontar o imperador, que, desta vez, ordenou que ele fosse espancado até a morte. Diocleciano ordenou que seu corpo fosse jogado fora, para que não o venerassem como mártir. Mas São Sebastião teria aparecido em sonho para uma mulher, a quem mostrou a localização de seus restos mortais e pediu que fossem sepultados próximo às catacumbas dos apóstolos. No século IV, o imperador Constantino, convertido ao cristianismo, mandou construir a Basílica de São Sebastião, próximo ao local onde ele havia sido enterrado, para abrigar o corpo do santo. Diz-se que, por volta de 680 d.C., Roma sofria com uma peste. Quando relíquias de São Sebastião foram transportadas solenemente para a Basílica de São Paulo, a epidemia acabou. Por isso, ele é considerado o santo protetor da humanidade contra a peste, a fome e a guerra.
3) Diz a lenda que, durante a durante a Batalha das Canoas, nas águas da Baía de Guanabara, São Sebastião teria aparecido, empunhando uma espada, auxiliando os portugueses a derrotar a aliança formada pelos franceses e pelos tupinambás.
4) Foi justamente no dia do padroeiro, que os portugueses (em aliança com os povos liderados pelo cacique Arariboia) expulsaram definitivamente os franceses do Rio de Janeiro, após vencerem a Batalha de Uruçumirim, região do atual bairro da Glória, em 20 de janeiro de 1567.
5) Nesse mesmo dia, Estácio de Sá, o fundador do Rio foi atingido por flechas (tal qual o padroeiro da cidade), que continham veneno e foram atiradas pelos índios tupinambás, aliados dos franceses contra os portugueses. Ele viria a morrer um mês depois.
6) Nos arredores da batalha, foi inaugurada em 1965, no ano do IV Centenário do Rio de Janeiro, uma estátua instalada na praça Luís de Camões, na Glória, com sete metros de altura, homenageia São Sebastião. A obra foi criada pelos escultores Dante Croce, Curzio Zani e Arnaldo Vali. A ideia era inaugurá-la no dia 20 de janeiro, mas, devido a um atraso na conclusão do monumento, na ocasião um molde de gesso com metade do tamanho substituiu a estátua oficial, que só viria a ser instalada meses depois, em agosto de 1965.
7) Aliás, a imagem de São Sebastião está presente em muitas igrejas, capelas e locais emblemáticos do Rio de Janeiro. Outra representação muito conhecida do santo na cidade é a estátua localizada no alto do Morro do Corcovado, ao lado da famosa estátua do Cristo Redentor.
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8) A primeira capela erguida na cidade foi dedicada a São Sebastião. Estácio de Sá mandou construir a igrejinha de taipa, coberta de sapê, no sopé do Pão de Açúcar. Nela, foi sepultado o corpo do fundador do Rio. Quando a cidade foi transferida para o Morro do Descanso, que mais tarde se chamaria Morro do Castelo, foi levantada lá igreja do padroeiro, a Sé Velha, para onde foram levados os restos mortais de Estácio de Sá, hoje instalados na Basílica de São Sebastião, na rua Haddock Lobo, na Tijuca.
9) No período colonial, o dia do padroeiro da cidade era um grande acontecimento, tanto de forma oficial como nas manifestações populares. “Salvas das fortalezas e dos navios, parada de tropas em grande gala, cerimônias religiosas com missa solene e sermão adequado, repiques de sinos, foguetório, janelas ajaezadas de colchas de damasco e tapetes do oriente, luminárias em todas as casas, danças populares em plena rua. Os festejos estendiam-se ao mar onde se efetuava um combate simulado, com fogos de artifício, entre dois grupos de embarcações, para rememorar a famosa batalha das canoas em que, segundo a lenda, o Santo em pessoa tomara parte, descendo à terra, vindo combater ao lado de seus devotos, na defesa da sua cidade. Com a vinda para o Rio de Dom João VI, rei beato por excelência, os festejos religiosos e oficiais adquiriram ainda maior pompa e brilho, iniciando-se na noite de 17 de janeiro”, descreve o livro Memórias da Cidade do Rio de Janeiro, de Vivaldo Coaracy.
10) São Sebastião é sincretizado com Oxóssi, das religiões de matriz africana. O historiador Luiz Antonio Simas observa que os negros bantos que chegaram à cidade sincretizaram o santo com o inquice Mutalambô, e os iorubás, com o orixá Oxóssi. Ambos são deuses caçadores das florestas africanas que viraram protetores dos caboclos do Brasil. A conexão entre eles e o santo católico é a flecha: Oxóssi e Mutalambô são donos da flecha. Sebastião sofreu o suplício sendo flechado. “O padroeiro abençoou os portugueses na guerra contra os índios tamoios e acabou sincretizado com um orixá que protege a falange dos índios”, diz.
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