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Vinoteca Por Marcelo Copello, jornalista e especialista em vinhos Marcelo Copello dá dicas sobre vinhos

Voo do Pato ao Pináculo da Baga

Por Marcelo Copello Luís Pato é o santo da casa que faz milagre. Já quase um brasileiro, figura carimbada em muitos eventos em solo tupiniquim – como os encontros de sua importadora, a Mistral – nem por isso Pato tem sua relevância diminuída.   Seus vinhos trazem a verdade de um terroir único no mundo […]

Por marcelo Atualizado em 25 fev 2017, 17h57 - Publicado em 29 jul 2015, 11h31

Por Marcelo Copello

Luís Pato é o santo da casa que faz milagre. Já quase um brasileiro, figura carimbada em muitos eventos em solo tupiniquim – como os encontros de sua importadora, a Mistral – nem por isso Pato tem sua relevância diminuída.

 Voo do Pato

Seus vinhos trazem a verdade de um terroir único no mundo e uma casta, a Baga, tão rebelde quanto este criativo e inquieto enólogo da Bairrada.

 O Quinta do Robeirinho Pé Franco, ou apenas Pé Franco, tem este nome porque as vinhas que lhe deram origem são plantadas em solo arenoso, sem enxerto, em “pé franco”, como era feito antes da filoxera. Este é um vinho raro, de produção ínfima, cerca de apenas mil garrafas ao ano, fruto de um rendimento inacreditavelmente pequeno (são necessários seis pés de vinha para produzir uma única garrafa). Tive o prazer de provar junto a Luís Pato, três safras deste mítico vinho, comprovando sua grandeza.

 Quinta do Ribeirinho Pé Franco 1996 – Cor quase escura, entre rubi e granada. Aroma denso e rico, musgo, ervas, frutas vermelhas e negras, eucalipto, couro e especiarias, madeira discreta, fundo mineral que aparece depois na taça. Paladar seco, mas sem a dureza esperada de um superbaga como este, com boa maciez, extremamente equilibrado, com taninos-acidez presentes com finesse.

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Nota: 95 pontos

 Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2001 – Cor quase escura, entre rubi e granada. Aroma floral, perfumado, complexo, com frutas maduras, especiarias, madeira integrada, eucalipto. Um pouco fechado, necessita ao menos de duas horas de decanter. Paladar de grande estrutura, com taninos ainda nervosos, ótima acidez, conjunto equilibrado e fino. Embora já bebível, ainda não está em seu auge e deverá crescer bastante até seu vigésimo ano, superando o 1996. O melhor do trio.

Nota: 97 pontos

 Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2009 – Cor rubi escuro violácea. Perfil aromático diferente dos demais, muito mais frutado e moderno, com fruta mais doce, limpa e bem definida, e violetas, acompanhado das notas de sempre: eucalipto, especiarias, madeira presente e bem colocada. Paladar potente e elegante, com taninos mais doces, sempre finos, porém ainda jovens, por resolver, acidez equilibrada, 13% de álcool. Embora ainda precise de tempo para chegar ao auge, prevejo aqui uma evolução mais rápida que os demais, chegando ao ápice talvez em mais três/cinco anos e mantendo-se por décadas.

Nota: 94 pontos

 Marcelo Copello (mc@marcelocopello.com)

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