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Vinoteca Por Marcelo Copello, jornalista e especialista em vinhos Marcelo Copello dá dicas sobre vinhos

Como comprar vinhos

Por Marcelo Copello   “Só a primeira garrafa de vinho é cara” – provérbio francês. Pode-se ver o vinho sob diversos ângulos: como um saudável alimento; como uma mera bebida alcoólica; como símbolo de status, sofisticação e, eventualmente, esnobismo; como história líquida que acompanha a espécie humana desde os primórdios da civilização; como fonte inesgotável […]

Por marcelo Atualizado em 25 fev 2017, 19h24 - Publicado em 2 Maio 2012, 19h20


Por
Marcelo Copello

 

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“Só a primeira garrafa de vinho é cara” – provérbio francês.


Pode-se ver o vinho sob diversos ângulos: como um saudável alimento; como uma mera bebida alcoólica; como símbolo de status, sofisticação e, eventualmente, esnobismo; como história líquida que acompanha a espécie humana desde os primórdios da civilização; como fonte inesgotável de prazer e descobertas; e, também, como um produto comercial. Abordaremos aqui este último aspecto, mais especificamente o momento da compra.

 

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O vinho é um produto de variedade infinita. Existem literalmente milhares de rótulos a disposição do consumidor brasileiro. Então qual deles escolher? Para um enófilo inexperiente, a compra pode significar ansiedade e expectativa na escolha de uma boa garrafa.

 

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O “vinho bom” nada mais é do que o que melhor se adapta a seu gosto pessoal, ao seu poder aquisitivo, e à ocasião a qual se destina (temperatura do ambiente, companhia, comida e estado de espírito). Muitos tem como regra única de compra o “quanto mais caro, melhor o vinho”. Preço, contudo, não caminha par-e-passo com qualidade. É simplesmente resultado da oferta e procura. Um Romaneé Conti pode custar 10 vezes o preço de um Château Latour. Conclui-se, então, que seja 10 vezes melhor? Não, conclui-se apenas que existem menos garrafas de Romanée Conti disponíveis e/ou mais pessoas dispostas a pagar por elas.

 

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Existem “vinhos bons” para todos os gostos, bolsos e ocasiões. Vejamos algumas dicas para amenizar suas dúvidas na hora da compra:

 

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Procure uma loja ou importadora com boa variedade. O primeiro aspecto a se observar é a origem, um produtor renomado garante um padrão de qualidade, embora nem sempre os preços compensem. Nomes desconhecidos podem ser boas descobertas, mas com uma dose de risco. Não deixe também de observar se existem safras recentes, se o estoque está sendo renovado.

 

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A boa conservação é fundamental, desde a origem até a prateleira. Portanto, procure garrafas trazidas por bons importadores, em containers climatizados. Supermercados normalmente desligam o ar-condicionado à noite, portanto cuidado ao adquirir exemplares mais frágeis (espumantes, brancos e tintos ligeiros) neste locais.

 

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Examine o estado do rótulo. Você não vai beber o rótulo, mas se estiver danificado indica maus tratos à garrafa. Observe como estas estão sendo conservadas. Não compre se ficaram numa vitrine expostas ao sol. Observe o nível de líquido na garrafa, compare com outras do mesmo vinho. Se o nível estiver baixo, não compre. Ao achar um exemplar desconhecido a preço atraente, adquira apenas uma unidade para provar antes de fazer uma aquisição maior.

 

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Olhe a garrafa contra a luz. Repare na cor do vinho, quanto mais escuro mais corpo terá. No caso dos brancos de mesa uma cor muito dourada, escura, pode indicar que está oxidado. Por outro lado, se você observar pequenos cristais boiando e brilhando, não se preocupe, trata-se apenas do bitartarato de potássio (sal que se forma naturalmente na fermentação e que não tem gosto nem cheiro).

 

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Outro aspecto interessante de se observar é o formato da garrafa, que pode indicar origem (Bordeaux, Borgonha, Alsacia etc) e também, de certa forma, qualidade. Observe seu fundo. Quanto mais profunda a reentrância, mas resistente do recipiente. Pode-se observar que, geralmente, em vinhos diferentes do mesmo produtor, quanto maior a concavidade do fundo da garrafa maior a qualidade do produto. Esta dica ajuda mas não é infalível, já que hoje há muitos produtos medíocres com garrafas imponentes, e vinhos honestos, mais tradicionais, que ainda não modernizaram suas embalagens.

 

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A safra é muito importante, portanto tenha em mãos uma tabela de cotação de safras, que pode ser conseguida facilmente, em catálogos de importadoras ou na internet. Lembre-se que a maioria dos vinhos não melhora com a idade, principalmente os brancos. Os de guarda custam mais caro com o passar dos anos, por isso desconfie de safras antigas a bom preço.

 

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A origem também é muito importante, quanto mais específica melhor. Indicações como “Mis en bouteille à la propreieté” ou “Mis en bouteille au Château” (França), “Imbottigliato all’origine” (Itália), “Erzeugerabfullung” (Alemanha), “Embotellado en el Origen” (Espanha, Chile e Argentina), “Estate Wine” ou “Estate Bottled” (EUA, Austrália, África do Sul e Nova Zelândia), indicam que a bebida foi engarrafada por quem o produziu, o que é uma indicação de qualidade.

 

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Outra observação interessante é uma lógica informal que existe nos rótulos de qualquer lugar do mundo. O destaque que se dá ao nome da região, do vinho ou do produtor. Analisando: quando o nome da região, por exemplo “Bordeaux” vem em destaque e o nome do “Château” vem abaixo e mais discreto, isto pode significar que dentro de Bordeaux este Château não é importante. Por outro lado, se o nome do vinho ou do produtor vem acima e com letras maiores que o da região, pode significar que este é um dos nomes importantes daquela região.

 

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Procure também experimentar novidades. Só na Itália existem mais de 100.000 rótulos diferentes, por quê se limitar apenas aos Chiantis e Valpolicellas?

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com)

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