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Vinoteca Por Marcelo Copello, jornalista e especialista em vinhos Marcelo Copello dá dicas sobre vinhos

CHEVAL BLANC 1947

O Cheval Blanc 1947 não é apenas um dos grandes vinhos da história, mas uma das maiores obras da humanidade.

Por marcelo - Atualizado em 28 abr 2020, 07h44 - Publicado em 28 abr 2020, 07h00

Por Marcelo Copello

cheval

Sempre me perguntam qual foi o melhor vinho que já provei. Às vezes perguntam até pelo pior vinho que já provei. Mas nunca me perguntaram sobre os que não provei.

Respondo agora então. O melhor vinho que eu NÃO provei (ainda) é o Cheval Blanc 1947.

O Cheval Blanc 1947 não é apenas um dos grandes vinhos da história, mas uma das maiores obras da humanidade, que comparo à Monalisa, à nona de Beethoven ou à Muralha da China.

Pena que, ao contrário destas outras obras que podem ser apreciadas por muitos, um grande vinho como este é para poucos. Quem quiser uma garrafa, provavelmente, terá que aguardar o próximo grande leilão em Londres, Nova Iorque ou Hong Kong e levar uma mala de dinheiro, esperando tirar dela não menos que 20 mil dólares, quem sabe 50 mil ou mesmo mais… (por uma única garrafa de 750 ml).

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Uma curiosidade: no filme Ratatouille este é o vinho que o temido crítico de gastronomia Anton Ego pede para acompanhar o jantar preparado pelo ratinho.

Uma das grandes safras de Bordeaux na história, junto outras como 1900, 1921, 1929, 1945, 1961, 1947 foi quase um acidente da natureza, ano totalmente atípico. 1947 foi extremamente quente, chegando aos 35oC. Quem mais lucrou naquela temporada foram os vendedores de gelo, pois havia fila para comprar (muitos enólogos tiveram que colocar gelo no vinho para aplacar o calor da fermentação).

O Cheval Banc 1947 desafia a lógica, pois apesar dos 14,4% de álcool (algo absurdo para uma época em que os vinhos tinham entre 11,5% e 12,5%), tem tudo o que um grande Bordeaux precisa ter (complexidade, profundidade e um impecável equilíbrio), mas ao mesmo tempo é diferente de tudo. Por seu teor alcoólico e monumental concentração pode ser  descrito como um vinho port like, semelhante a um Porto Vintage, porém seco.

Lembro que uma vez Pierre Lurton, diretor do Cheval Blanc, confidenciou-me que quando um certo ministro francês foi visitar o Château, prepararam-se para recebê-lo com um almoço regado a um vinho de seu ano de nascimento. Mudaram de ideia quando souberem que ele nasceu em 1947… o almoço iria ficar caro demais, mesmo para o Château.

Elaborado com uvas Merlot e Cabernet Franc, 50% de cada, foram feitas apenas 110 mil garrafas desta obra de arte, que pelas últimas 6 décadas vêm sendo disputadas por colecionadores de todo o planeta… Quantas destas ampolas será que ainda sobrevivem no mundo?

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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