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Teatro de Revista Por Blog Espetáculos, personagens, bastidores e tudo mais sobre o que acontece na cena teatral carioca, pelo olhar do crítico da Veja Rio

Crítica: Pai

✪✪✪ PAI, de Cristina Mutarelli. Relações conturbadas entre pais autoritários e filhos oprimidos ocupam a cena desde as tragédias gregas. Partir de premissa tão gasta para chegar a um espetáculo instigante é uma façanha do monólogo Pai. Montado pela primeira vez em 1999, com Beth Coelho no palco, o texto de Cristina Mutarelli agora cabe a Rita Elmôr. […]

Por rafaelteixeira - Atualizado em 25 fev 2017, 19h05 - Publicado em 11 jun 2013, 16h42

✪✪✪ PAI, de Cristina Mutarelli. Relações conturbadas entre pais autoritários e filhos oprimidos ocupam a cena desde as tragédias gregas. Partir de premissa tão gasta para chegar a um espetáculo instigante é uma façanha do monólogo Pai. Montado pela primeira vez em 1999, com Beth Coelho no palco, o texto de Cristina Mutarelli agora cabe a Rita Elmôr. Sob a direção de Bruce Gomlevsky, ela interpreta Alzira, filha de um pai tirano e ausente. Evocando o livro Carta ao Pai, de Franz Kafka, as falas da personagem são um catártico acerto de contas com aquela figura que tanto mal lhe fez — ou de Alzira com ela mesma. Sem a presença física do pai em cena, paira uma interessante ambiguidade, na qual realidade e ficção parecem se misturar. O tom algo expressionista da encenação, se por vezes parece competir com a força do texto, também é prato cheio para uma atriz de recursos como Rita Elmôr, em atuação vigorosa. Atenção para o cenário de Nello Marrese e Natália Lana, em que objetos de cena vão sendo desenterrados, como memórias vindo à tona.

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