Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês
Solta o som Por Blog Aqui cabe de tudo: do popular ao alternativo, do clássico ao moderno. Confira as novidades, bastidores e críticas sobre o que acontece no mundo da música dentro e fora do Rio de Janeiro

Um trio para João Gilberto

Em comum, os três têm a origem paulista e o prestígio artístico conquistado sem alarde. Renato Braz (voz), Nailor Proveta (sax e clarinete) e Edson Alves (violão) dedicaram-se a um projeto ousado nos últimos dois anos e vêm ao Rio mostrar no que deu a aventura. Disco do trio, Silêncio – Um Tributo a João […]

Por Pedro Tinoco Atualizado em 25 fev 2017, 17h59 - Publicado em 12 jul 2015, 11h00
Nailor Proveta, Edson Alvez e Renato Braz em foto de Caio Palazzo: na Caixa Cultural de quinta (16) a sábado (18)

Nailor Proveta, Edson Alves e Renato Braz em foto de Caio Palazzo: na Caixa Cultural

Em comum, os três têm a origem paulista e o prestígio artístico conquistado sem alarde. Renato Braz (voz), Nailor Proveta (sax e clarinete) e Edson Alves (violão) dedicaram-se a um projeto ousado nos últimos dois anos e vêm ao Rio mostrar no que deu a aventura. Disco do trio, Silêncio – Um Tributo a João Gilberto abastece o repertório das apresentações que acontecem de quinta (16) a sábado (18), às 19h, no Teatro de Arena da Caixa Cultural (Avenida Almirante Barroso, 25, Centro, do lado da estação Carioca do Metrô, ingressos a 20,00). No álbum, ao vivo e em Ensaio sobre o Silêncio, de Zeca Ferreira, documentário que registrou todo o processo de criação (produzido pelo Canal Brasil), os músicos esbanjam talento se sensibilidade na interpretação de temas caros a João Gilberto, como Pra que Discutir com Madame, Estate e Eu Vim da Bahia. Proveta, o brilhante e discreto maestro da Banda Mantiqueira, conta mais ou menos como a coisa funcionou. Depois do papo, lá embaixo você assiste no YouTube aos três em ação.

Como é que se presta tributo a um artista inimitável?

A gente tem que deixar de existir para tocar a música dele. Uma característica do gênio é que somos acolhidos pela música que o artista criou. Veja Mozart. O cara nasceu lá na Áustria, a gente ouve e entra, comunga com aquilo. Com João Gilberto, ou o entendimento que ele tem da música, desde antes da bossa, e depois dela, se dá mais ou menos o mesmo. Hoje em dia todo mundo é solista, o povo tem muita vontade própria. Eu tenho pavor de ser escolhido solista, adoro fazer minha música quietinho. Esse tributo nasceu no estúdio, no silêncio, é um deleite. Tivemos todo o tempo do mundo para entender a mensagem do João Gilberto, nas letras, nas melodias, na interpretação dele. Tem um espírito camerístico, tem a linha do “menos é mais”, que o João perseguiu desde sempre. O Edson (Alves, violonista e arranjador) é meu parceiro há décadas, também é o cara mais sossegado da face da terra. O Renato é da maior suavidade. Fomos trabalhando na base da risada, da satisfação, do prazer. Eu me pensei muito nos arranjos do Clare Fischer para a obra de João Gilberto e também na referência cool do (saxofonista) Stan Getz. O Edson trouxe as ideias, as introduções, e procuramos criar o clima daquelas orquestrações na formação só para o violão, clarinete ou sax e a voz do Renato, que entra como um instrumento. Isso deu a cor do disco. Não temos volume, massa de som, então caprichamos na hora de escolher que cor usar. Foi muito divertido. Imagine um playground sem a barulheira tão comum nos dias de hoje, essa necessidade que as pessoas parecem ter de ser sacudidas por um barulhão a toda hora.

O que vocês vão tocar ao vivo?

Vamos tocar o disco todo. É impressionante, no repertório do João tem bolero (Besame Mucho), Gilberto Gil (Eu Vim da Bahia), Caymmi (Doralice), Wilson Baptista (Louco – Ela É Seu Mundo, com Henrique de Almeida), canção italiana (Estate). Bahia com H é do Denis Brean (1917-1969), que nasceu em Campinas e acho que nunca foi à Bahia, mas fez um samba que é demais. João, pela maneira como ele criou esse panorama vasto, ensina que temos que saber usar muito bem nossos instrumentos, temos que escolher bem nossos pincéis para colorir de forma adequada a expressão do compositor. Não se pode tomar posse da obra, levar para o pessoal, aí é um desastre. Sem pensar muito bem, você pode até tocar, cantar, falar, mas vai fazer isso sem alma, sem comunhão com uma forma de vida maior.

CHEGA DE CONVERSA. ASSISTAM AO ENCONTRO DO TRIO COM ESTATE

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=ihaEYwGFfIE?feature=oembed&w=500&h=281%5D

Continua após a publicidade
Publicidade