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Roda de samba, modo de usar

Esse post aqui deveria ter sido publicado há uma semana, mas uma sinergia braba me levou ao ortopedista – disse o doutor que o problema é crônico e particularmente delicado na área atacada, o jornalismo, mas tem cura. Refeito, vamos ao que interessa: RODAS DE SAMBA. Em meio à celebração do centenário oficial do gênero, […]

Por Pedro Tinoco - Atualizado em 25 fev 2017, 17h36 - Publicado em 11 mar 2016, 23h07
foto meramente ilustrativa, still do histórico documentário Partido Alto (1976), de Leon Hirszman: na foto, o portelense Candeia, sentado e, tenho quase certeza, um jovem Tantinho de faca e prato  na mão

Foto meramente ilustrativa, still do histórico documentário Partido Alto (1976), de Leon Hirszman: na foto, o portelense Candeia, com seu indefectível chapéu, e, tenho quase certeza, um jovem Tantinho da Mangueira de faca e prato na mão

Esse post aqui deveria ter sido publicado há uma semana, mas uma sinergia braba me levou ao ortopedista – disse o doutor que o problema é crônico e particularmente delicado na área atacada, o jornalismo, mas tem cura. Refeito, vamos ao que interessa: RODAS DE SAMBA. Em meio à celebração do centenário oficial do gênero, consultamos sete especialistas nas coisas nossas. Gentilmente, eles deram várias dicas de rodas de samba em plena atividade. Quer ouvir samba de verdade? Acompanhe as suestões:

O recado de Luís Filipe de Lima, exímio violão de sete cordas:

“Rapaz, ando frequentando pouco as rodas cariocas, talvez não consiga ajudar muito. Mas não posso deixar de lembrar do Bip Bip aos domingos, aquela roda unplugged comandada pelo Alfredinho é mesmo sensacional. Além do quê, é uma roda de verdade, não um show de samba no formato de roda. Também tem o Samba do Trabalhador, no Clube Renascença. Abraço!”

O recado de Hugo Sukman, jornalista, autor do livro Heranças do Samba (2004), ao lado de Aldir Blanc e Luiz Fernando Vianna, e curador do projeto do novo MIS carioca.

“Fala, rapaz, tudo bem? Acho que a melhor roda da cidade, musicalmente falando, é o Canto do Batuqueiro, todo último domingo do mês no Renascença, liderada pelo grande percussionista, cantor e compositor Marcelinho Moreira. Sempre tem um convidado especial… Imbatível para mim, também, ainda é a do Candongueiro, em Niterói. Abraço”

O recado de Rafael Dummar, craque do cavaquinho, ouvido no Carnaval em desfiles como o do Bloco de Segunda

“O que chamam de roda hoje em dia ganhou um ar de show, com microfone, amplificação etc. Roda, roda mesmo, hoje, é a das Terças Desamplificadas, no Beco do Rato. Essa ideia da interpretação acústica é tão rara que dá nome ao evento, rs. Outras rodas que eu recomendo: 1- Samba do Trabalhador. Acho uma das melhores e talvez seja hoje a que melhor cumpre a função de ponto de encontro do povo do samba. Toda a nata vai lá assistir e dar canja. 2 – Samba da Ouvidor. Acho a melhor em relação ao repertório, o Gabriel da Muda abusa de cantar o lado B. 3 – As já faladas Terças Desamplificadas do Beco do Rato. Batucada com aquela pegada de Cacique de Ramos, Fundo de Quintal, anos 80. Roda com banjo e muito pandeiro de náilon.  4 – Roda da Glória, rola no domingo depois da feira no bairro, seguida por um rango da pesada. 5 – Samba da Folha Seca. O Rodrigo Ferrari, dono da livraria Folha Seca, organiza o samba ali na porta, é desamplificada também, mas não é frequente. Em geral acompanha um lançamento de livro ou datas festivas como o aniversário da cidade ou o Dia de São Sebastião. Tem outras que não sei como andam, mas vale ficar de olho. É o caso da Tia Gessy, um clássico suburbano que vi, pelo facebook, que está de volta.”

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O recado do Almir “Bacana” Alves, percussionista de primeira, integrante do Choro da Feira da General Glicério, realizado aos sábados

“Salve, não é tarefa fácil essa, mas vou tentar ajudar. Segunda é dia de Samba do Trabalhador, mas também da roda da Pedra do Sal. No Beco do Rato tem roda de terça a quinta, sempre alto nível. Na quinta, também, tem uma ótima roda no na Rua Gonçalves Ledo, no Centro. Abração.”

O recado do João Callado, bamba dos arranjos e do cavaquinho, integrante do Grupo Semente, que deixa cair às quartas no Bar Semente.

“Tem muito samba bom na programação normal de casas como o Carioca da Gema, o Trapiche Gamboa, o próprio Semente. Ao ar livre, com gente em volta da mesa, tem o Samba da Ouvidor, aos sábados. Mas, Tradicional nessa história, o Cacique de Ramos segue firme e forte.”

O recado do João Pimentel, jornalista, compositor de pérolas do Carnaval de rua carioca e autor do livro Blocos – Uma História Informal do Carnaval de Rua

“Oi Pedro, gosto do Candongueiro, casa do Ilton e da Ilda, em Pendotiba, Niterói, um reduto de samba dos mais antigos em atividade. Tem muito pagode com mais tempo de existência, mas que migra de um canto para outro. O Candongueiro é o anexo da casa deles, um samba que começou mesmo no quintal e por onde passaram todos o grandes. Como Tio Helio, que cantou pela última vez por lá. Nei Lopes está escrevendo um livro sobre a casa. Eles hoje lutam para sobreviver ao modismo, à Lei Seca, à distância e outras coisitas. Ali o sambista é bem pago, respeitado. Por ali circulam os operários do samba, aqueles compositores que fazem o repertório de Zeca, Beth etc. Gente como Luiz Grande, Barbeirinho do Jacarezinho, Dunga, Zé Roberto, Wanderley Monteiro, Claudinho Guimarães e outros. Como diz o samba do Tantinho: “Pra cantar samba de roda, e não a moda, só no Candongueiro”.”

O recado de Vagner Fernandes, fundador do bloco Timoneiros da Viola

“Oi querido, tudo bem? Eu indico o Criolice, que acontece lá na Arena Fernando Torres no terceiro domingo de cada mês. É uma roda poderosa, composta por músicos de primeira e muitas participações especiais frequentes, como as do como Dirceu leite nos sopros e do Carlinhos Sete Cordas. O Nem da Doca também faz uma roda muito bacana, ele segue a tradição da mãe, a saudosa pastora da Portela, a Tia Doca. É uma roda as pesada, no quintal da casa, em frente à estação de Oswaldo Cruz. Vou lá com frequência. Abração.”

 

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