O último romântico (depois do Lulu)

Bruce Gomlevsky, 40 anos, é um ator conhecido. Também, pudera: trabalha sem parar. Desdobra-se na TV (Malhação, séries e novelas várias) e no cinema (de Deus É Brasileiro ao recente Sorria, Você Está Sendo Filmado), mas seu hábitat é mesmo o teatro, onde coleciona acertos como Anti-Nelson Rodrigues (como diretor), O Homem Travesseiro e Festa […]

Bruce Gomlevsky em foto de Dalton Valério: ator e diretor com 20 anos de trajetória, ele lança disco e inaugura carreira como cantor e compositor

Ator e diretor com duas décadas de trajetória, Bruce Gomlevsky lança disco solo e inaugura carreira como cantor e compositor: foto de Dalton Valério

Bruce Gomlevsky, 40 anos, é um ator conhecido. Também, pudera: trabalha sem parar. Desdobra-se na TV (Malhação, séries e novelas várias) e no cinema (de Deus É Brasileiro ao recente Sorria, Você Está Sendo Filmado), mas seu hábitat é mesmo o teatro, onde coleciona acertos como Anti-Nelson Rodrigues (como diretor), O Homem Travesseiro e Festa de Família (nessas, entrou nos créditos como ator e diretor). Em cena, encarou um projeto que o público transformou em fenômeno: Renato Russo. No papel-título, defendendo vida e obra do líder da banda Legião Urbana, Gomlevsky estreou em 2006, cantando à frente da banda 22 músicas por sessão, passou quase cinco anos em cartaz, reviveu os momentos de idolatria que acompanharam Russo (1960-1996) e arrebanhou 200 mil espectadores em quarenta cidades. A experiência o levou a reencontrar a música, sua arte favorita nos tempos de garoto e um prazer de vida inteira. Na terça (16) e na quarta (17), às 20h30, no Espaço Sesc (no mezanino, Rua Domingos Ferreira, 160, tel. 2547-0156, vinte reais), ele mostra ao vivo o repertório do CD Eu Me Recuso a Abandonar Meu Romantismo, doze faixas em que assina letra e música. Esses primeiros dois shows são um esquenta para o lançamento oficial, que acontece no dia 6 de julho, no Theatro Net Rio, quando o CD físico, esta relíquia, já vai estar pronto. Em grande estilo, à frente de onze músicos (entre eles o tecladista Humberto Barros e o saxofonista Zé Carlos Bigorna), Bruce (o nome artístico-musical é só Bruce, sem o “Gomlevsky”) passeia por baladas com um quê do Roberto Carlos dos anos 60/70, rock e soul.

AGORA É O SEGUINTE:

1 Conversamos com Bruce Gomlewsky sobre sua aventura musical. A entrevista está aí embaixo.

2 Você pode baixar quatro músicas do disco no site do artista, clicando AQUI

3 Lá nos finalmentes, confira em vídeo o desempenho musical de Bruce Gomlevsky

AO PAPO

O disco é romântico até no título e, você mesmo já disse, partiu da experiência de uma separação. Está tudo bem com a sua vida agora?
Essa história toda parte de uma separação, de uma decepção amorosa, e muito do disco foi composto em São Paulo, num momento em que eu estava bem sozinho.  Ouvindo agora, vejo que esse trabalho é o Bruce, é um desnudamento. Não tem personagem, como no teatro. Sou eu falando de mim, as letras não são para uma pessoa só, são para várias musas, várias situações. Falo em primeira pessoa, falo de mim, mas não me volto para o meu umbigo, espero tocar outras pessoas. Afinal, todo mundo já sofreu de amor.  A organização das faixas acabou compondo uma história, um conceito. Vai do fundo do poço a um final luminoso, mais para a festa. O disco foi um jorro, transformei a dor de um momento nessas canções. Fui casado, tenho filhos, me separei há quatro anos e hoje estou namorando. O disco começa com músicas sofridas. Na faixa Eu Amo Você, eu chorei no estúdio, gravando. Hoje tenho um distanciamento. Foi uma maneira de elaborar, expurgar, botar prá fora e seguir em frente. É curioso, as coisas se transformam, não têm mais aquele subtexto. O nome do disco é um manifesto. Apesar de todo o sofrimento, apesar do buraco, da fossa, eu me recuso a abandonar meu romantismo. O subversivo hoje é ficar casado, manter um relacionamento.

Como você foi construindo o repertório em meio a tantos projetos como ator e diretor?
Fiz tudo de uns três anos para cá, contando do começo das composições à gravação. Pouca gente sabe, mas estudei violão, estudei bateria com o Pascoal Meirelles (músico requisitado, dono de inventiva carreira solo, integrante do grupo instrumental Cama de Gato). Tive banda de rock e, efetivamente, comecei nas artes como músico. Quando virei ator, essa bagagem ficou meio de lado, mas, a partir de Renato Russo, consegui unir as duas coisas. Agora tomei coragem para mostrar minhas músicas. Chamei o Mauro Berman (arranjador, baixista e tecladista, já trabalhou com nomes como Marcos Valle e Marcelo D2), amigo de longa data e produtor do disco, mostrei o trabalho para ele, ainda na base de voz e violão, e o Berman reuniu a banda para gravarmos.  As coisas foram tomando forma.

O quanto de Renato Russo tem nessa sua empreitada musical?
Fiz Renato Russo por quase cinco anos, parei em 2010 e, até hoje, recebo convite todo mês para fazer a peça no Brasil inteiro. Adoro cantar Renato, posso até fazer um show, mas a peça, com dramaturgia, já foi. Foi bacana, um momento ótimo, mas hoje eu me sentiria meio farsante, surfando nessa onda de biografias musicais. Depois dele veio a vontade de fazer música. Com o disco pronto esse lado deslanchou. Estou compondo sem parar, tocando.

O repertório vai da balada ao rock, passando pelo soul à brasileira. Quais foram as suas inspirações musicais?
Tenho influências fortes do Roberto Carlos do final dos anos 60, início dos 70, que eu amo. Também admiro o Tim Maia, o Simonal. Adoro soul music, Motown, James Brown, o rock desde Little Richard. Sou um polonês, judeu, que nutre admiração imensa pela música negra. Estamos ensaiando com naipe de metais, backing vocals, tem um conceito de soul band. Ao vivo o clima vai ser de festa. Dizem que sou doido, estou com onze músicos no palco, mas é sempre assim. No teatro, botei dezesseis atores no palco em Estranho no Ninho, 27 em Timon de Atenas, catorze em O Funeral.

AO VÍDEO

Bruce bancando o Renato Russo:

 

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